No segundo ano de exames do 6.º, a história repete-se: apenas cinco públicas entre as 100 primeiras

O ensino artístico de música continua a dominar. Na base, estão algumas escolas em territórios prioritários

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Nelson Garrido

A secundária Artística do Conservatório de Música de Calouste Gulbenkian, em Braga, é a primeira pública em 29.º lugar (146 provas, 3,74 de média). As escolas com ensino articulado de dança e música dominam: a secundária Quinta das Flores, em Coimbra, está em 39.º (92 provas, 3,70 de média); e o Conservatório de Música do Porto em 83.º (146, 3,47 média).

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A secundária Artística do Conservatório de Música de Calouste Gulbenkian, em Braga, é a primeira pública em 29.º lugar (146 provas, 3,74 de média). As escolas com ensino articulado de dança e música dominam: a secundária Quinta das Flores, em Coimbra, está em 39.º (92 provas, 3,70 de média); e o Conservatório de Música do Porto em 83.º (146, 3,47 média).

Tal como no ano passado, o primeiro em que se realizaram as provas de 6.º, na lista das 100 com melhores resultados encontram-se só cinco públicas; e, destas, três são de música. As restantes são a EBI Vasco da Gama, em Lisboa, numa zona privilegiada; e a EB de Beiriz, Póvoa de Varzim, numa zona desfavorecida.

Esta é a escola onde nasceu o Projecto Fénix, que promove o apoio individualizado aos alunos com dificuldades, colocando-os em turmas onde podem recuperar. Os alunos do 6.º desde o 2.º ano que estavam integrados no Fénix, informa Luísa Moreira, coordenadora do projecto.

A EBI de Rabo de Peixe, Açores, é a antepenúltima na lista das 1020 escolas que fazem 50 ou mais provas, e adoptou o Fénix neste ano lectivo. Trata-se de uma escola que fica numa zona carenciada, com “pais que sobrevivem [graças aos] subsídios, sem precisarem da escola”, diz Rodrigo Reis, director, que luta para contrariar que a história dos seus alunos seja igual à dos pais.

Nas cinco últimas, esta é a única que não é uma escola de Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP) – “mas temos as mesmas características”, aponta o director. São escolas que recebem recursos, materiais e humanos, para responder a problemas concretos de inclusão, abandono e insucesso escolar. “Há um desinvestimento dos pais na vida dos educandos; muitas carências económicas; alunos que não comem e que, por isso, não têm capacidade para estudar. Os problemas disciplinares começam no jardim de infância”, descreve António Almendra, director da EB 2,3 Bairro Padre Cruz, em Lisboa.
Se for preciso, a escola vai a casa, tem salas de estudo, oficinas, e as três mil ocorrências disciplinares que existiam há três anos caíram para 900. Portanto, está a fazer o seu caminho para a melhoria dos resultados. “Não é um percurso que se faça em pouco tempo”, avisa.

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