Naufrágio de navio com imigrantes faz mais de 130 mortos em Itália

Embarcação com 500 pessoas afundou-se perto de Lampedusa. Governo italiano quer resposta da União Europeia a este fluxo de pessoas.

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O número de vítimas está a subir de hora a hora. "Há 250 desaparecidos", disse, a meio da manhã, fonte das entidades envolvidas nos socorros, citada pela edição digital do La Repubblica. Entretanto foram resgatos do mar 40 corpos.

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O número de vítimas está a subir de hora a hora. "Há 250 desaparecidos", disse, a meio da manhã, fonte das entidades envolvidas nos socorros, citada pela edição digital do La Repubblica. Entretanto foram resgatos do mar 40 corpos.

"O mar está cheio de corpos", afirmou a presidente da câmara de Lampedusa, Giusi Nicolini. "É horrível, é como um cemitério, continuam a trazê-los", disse aos jornalistas.

As primeiras informações indicam que a maioria dos passageiros que seguiam na embarcação era de origem africana, muitos somalis e eritreus. O gabinete do alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados informou depois que serão, na sua maioria, eritreus, provenientes da Líbia.     

O naufrágio terá sido provocado por um incêndio a bordo. Informações da polícia indicam que passageiros do navio terão pegado fogo a cobertores para assinalarem a sua presença a navios de mercadorias que navegavam na área e que as chamas se terão descontrolado.   

O alarme foi dado por um pesqueiro que salvou cerca de 60 pessoas. Quatro navios da guarda costeira e da polícia e dois helicópteros continuam as buscas. Foram já resgatadas com vida pelo menos 151 pessoas.

O Papa Francisco já reagiu a mais esta tragédia, através de uma mensagem no Twitter: "Rezamos a Deus pelas vítimas do trágico do naufrágio ao largo de Lampedusa." Mais tarde, após um discurso em que evocou a encíclica papal Pacem in Terris, de João XXIII, escrita em 1963, voltou ao assunto: "A palavra que me vem à cabeça é vergonha. É uma vergonha."

A primeira visita pastoral do actual Papa foi precisamente a Lampedusa, onde, no início de Julho, denunciou a indiferença pela morte de imigrantes.

O vice-primeiro-ministro italiano, Angelino Alfano, lançou um apelo à União Europeia para que ajude a Itália. Este é "um drama europeu, não apenas italiano", disse.

No mesmo sentido, mas de modo mais acutilante, o Presidente italiano, Giorgio Napolitano, defendeu a intervenção europeia para parar com esta "sucessão de massacres de pessoas inocentes". "Estamos diante de mais um desastre de inocentes, talvez o mais arrebatador. Não podemos ficar às voltas em torno da discussão sobre a necessidade absoluta da comunidade internacional, e principalmente da União Europeia, de adotar medidas para evitar estes acidentes", disse Napolitano. Segundo o presidente, é "indispensável reprimir o tráfico criminoso de seres humanos através de uma cooperação com os países de proveniência e com os que solicitam asilo".

"Não é o momento de acusar ninguém mas de dizer aos países da União Europeia que façam a sua parte", disse a  ministra italiana da Integração, Cecile Kyenge, acrescentando que no segundo semestre de 2014 a Itália terá a presidência da União e porá a imigração na agenda. Já houve contactos com outros países, nomeadamente a Grécia e o Luxemburgo, para se debater a chegada de imigrantes à Europa (e em concreto a Lampedusa, onde há milhares de pessoas num campo de imigrantes e refugiados) e encontrar medidas para "intervir, ao abrigo dos acordos europeus, com a noção de que a nossa costa é a porta de entrada na Europa".


Na segunda-feira, 13 outros imigrantes, maioritariamente eritreus, morreram afogados quando tentavam alcançar a costa depois de terem saltado, ou sido atirados, da embarcação em que seguiam, que transportava cerca de 200 imigrantes e refugiados, a ocidente da Sicília.

Nesta altura do ano, navios com imigrantes e refugiados provenientes do Norte de África, mas também do Médio Oriente - muitos a fugirem à guerra na Síria - procuram diariamente chegar à Europa através da ilha de Lampedusa, que fica a apenas 113 quilómetros da costa da Tunísia. São frequentes os naufrágios de navios sobrelotados, sem condições de navegação seguras.

Segundo as Nações Unidas, em 2012, quase 500 pessoas morreram ou foram dadas como desaparecidas no mar, quando tentavam chegar à Europa.