Pequena ilha surge na costa do Paquistão após sismo

Terramoto fez-se sentir em zona remota do país mas também nos vizinhos Irão e Índia.

Fotogaleria

Tem cerca de 30 metros de comprimento, 76 de largura e 18 de altura, e emergiu perto de Gwadar, após o terramoto que destruiu dezenas de milhares de habitações em Awaran e se fez sentir na capital Karachi, onde vivem 20 milhões de pessoas, na Índia e no Irão. Segundo dados da ONU, 61 mil pessoas vivem num raio de 50 quilómetros do epicentro do sismo de magnitude 7,7 na escala de Richter, registado às 16h29 de terça-feira (12h29 em Lisboa).

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Tem cerca de 30 metros de comprimento, 76 de largura e 18 de altura, e emergiu perto de Gwadar, após o terramoto que destruiu dezenas de milhares de habitações em Awaran e se fez sentir na capital Karachi, onde vivem 20 milhões de pessoas, na Índia e no Irão. Segundo dados da ONU, 61 mil pessoas vivem num raio de 50 quilómetros do epicentro do sismo de magnitude 7,7 na escala de Richter, registado às 16h29 de terça-feira (12h29 em Lisboa).

O sul da província do Baluchistão está situado numa zona de cruzamento de placas tectónicas, ficando sujeito a uma intensa actividade sísmica. Brian Baptie, responsável pelo departamento de sismologia do instituto britânico de geofísica, explicou ao The Telegraph que a ilha será o resultado de um vulcão de lama, criado pelo movimento de gases presos no interior da terra que forçaram a subida à superfície de água de lama e pedras.

“Os vulcões de lama são frequentemente provocados em certas zonas como resultado dos abalos durante os terramotos. Esse sacudir violento leva à libertação de lama e lodo que estão sob pressão no subsolo”, acrescentou o responsável.

As autoridades contabilizaram entretanto 328 mortos e 450 feridos. “Os socorristas procuram encontrar corpos nos escombros mas a nossa prioridade é transportar os feridos para os hospitais o mais rapidamente possível”, declarou Azad Gilano, ministro do Interior da província do Baluchistão.

Os feridos mais graves estão a ser transportados para Karachi de helicóptero e outros vão para os distritos vizinhos, acrescentou Jan Muhammad Baledi, alto responsável da província.

O trabalho dos socorristas prolongou-se pela noite dentro. As autoridades esperam que, ao início do dia, seja possível encontrar mais corpos ou desaparecidos. “Cerca de 90% das casas do distrito ficaram destruídas. A maioria é feita de barro e ruiu”, disse Abdul Rasheed Baluch, alto responsável do distrito de Awaran.

O estado de emergência foi decretado e o exército enviou 300 soldados para a região, um número que poderá chegar aos mil ao longo desta quarta-feira.

Após o sismo, o instituto norte-americano de geofísica (USGS) lançou um alerta vermelho e avançou que “é provável um número elevado de vítimas”; acrescentando que para este tipo de incidente são necessárias respostas nacionais e internacionais. Os serviços sismológicos paquistaneses esperam réplicas.

O Baluchistão é a província mais vasta, a menos populosa e a mais pobre do Paquistão, mas o seu solo é rico em hidrocarbonetos e minerais.

Em Abril passado, um sismo na região Este do Irão fez 41 mortos, dos quais 40 viviam na região fronteiriça do Baluchistão e afectou mais de 12 mil pessoas. Em 2005 um sismo de magnitude 7,6 em Cachemira (nordeste do país) fez 73 mil mortos. Foi uma das piores catástrofes naturais da história do Paquistão.

Notícia actualizada às 18h: Acrescenta informação sobre formação de ilha e actualiza número de vítimas do sismo.