Al-Qaeda reivindica autoria de ataques contra prisões iraquianas

Centenas de prisioneiros foram libertados das prisões de Abu Ghraib e de Taji em dois ataques coordenados. Autoridades dizem ter recapturado 150 prisioneiros.

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As forças de segurança continuam em busca de vários prisioneiros AHMAD AL-RUBAYE/AFP

Num comunicado publicado na Internet e citado pelas agências internacionais, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante – um grupo formado no início do ano por membros da Al-Qaeda no Iraque e na Síria – afirma que a operação foi concretizada após meses de preparação.

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Num comunicado publicado na Internet e citado pelas agências internacionais, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante – um grupo formado no início do ano por membros da Al-Qaeda no Iraque e na Síria – afirma que a operação foi concretizada após meses de preparação.

No texto em que reivindica a autoria dos ataques, o grupo avança que a operação envolveu bombistas suicidas, rockets e 12 veículos armadilhados, e afirma que foram mortos 120 guardas e elementos da força de intervenção rápida do exército iraquiano.<_o3a_p>

"Em resposta ao apelo do mujahid [combatente da "guerra santa"] Sheikh Abu Bakr al-Baghdadi para concretizar o plano abençoado ‘Derrubar os Muros’ (...) as brigadas de combatentes partiram após meses de preparação e de planeamento para atacarem duas das maiores prisões do Governo Safávida" – uma referência à dinastia xiita que governou o Irão entre os séculos XVI e XVIII.

Segundo as autoridades iraquianas, os dois ataques fizeram mais de 50 mortos, entre os quais 26 guardas prisionais e soldados iraquianos. O Ministério do Interior do país afirma que os atacantes contaram com a colaboração de guardas em ambas as prisões.

"Houve uma conspiração entre alguns guardas e os grupos terroristas que atacaram as prisões. Esse foi um dos principais motivos para a escalada dos acontecimentos, que tiveram estas consequências", lê-se num comunicado do ministério citado pela Al-Jazira.

Segundo os números do Governo iraquiano, 260 detidos escaparam da prisão de Abu Ghraib, símbolo de tortura durante o regime de Saddam Hussein e cenário dos abusos de militares norte-americanos contra detidos iraquianos, em 2004. Outros 240 foram libertados da prisão de Taji, a norte da capital.

Entre ontem e hoje, as forças de segurança iraquianas dizem ter conseguido recapturar 150 prisioneiros. As autoridades centram agora as atenções em dez dos que continuam a monte, por se tratarem de figuras importantes da Al-Qaeda, todos condenados à morte por actos terroristas.