Levantada interdição de banhos em cinco praias da região de Lisboa

Casos de alergias na pele não estão relacionadas com a presença de microalgas, garante a Agência Portuguesa do Ambiente. Banhistas podem voltar ao mar nas praias da linha de Cascais e da Costa de Caparica.

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APA recomenda cuidados redobrados para pessoas mais vulneráveis Adriano Miranda/Arquivo

“A prática de banhos poderá ser retomada, ainda que ao abrigo de medidas de prevenção”, disse o presidente da APA numa conferência de imprensa em Lisboa, recomendando manter os cuidados preventivos para os grupos mais vulneráveis como as crianças e as pessoas que sofrem de alergias.

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“A prática de banhos poderá ser retomada, ainda que ao abrigo de medidas de prevenção”, disse o presidente da APA numa conferência de imprensa em Lisboa, recomendando manter os cuidados preventivos para os grupos mais vulneráveis como as crianças e as pessoas que sofrem de alergias.

Desde quarta-feira que 76 pessoas tomaram banho nestas praias e sentiram, depois, irritações na pele que rapidamente desapareceram depois de passarem o corpo por água doce. Nesta segunda-feira houve mais 16 casos na Costa de Caparica, 14 na praia da Fonte da Telha e dois na praia Nove, adiantou ao PÚBLICO o comandante Cruz Gomes, da Capitania de Lisboa. Segundo o responsável, a bandeira amarela será içada na terça-feira nestas duas praias, onde as pessoas vão ser desaconselhadas a tomar banho.

Em todas as outras onde ocorreram casos, a orientação dada à capitania é para levantar a bandeira amarela mas desaconselhar às famílias com crianças que estas tomem banho nas praias. Nas outras praias onde não ocorreram situações semelhantes “não vamos colocar restrições”, adiantou Cruz Gomes.

Quanto às causa destas reacções cutâneas, o mistério mantém-se. “A conclusão mais relevante é que não conseguimos detectar uma relação causal entre a ocorrência de microorganismos e as situações cutâneas”, explicou Nuno Lacasta.

Amostras da água do mar das praias de Carcavelos, Santo Amaro, Torre, São João e CDS foram retiradas — a primeira foi logo retirada no dia 10 de Julho —, mas não mostraram nada. Apesar de haver um aumento do número de microorganismos, as espécies que foram identificadas nas amostras não correspondem a nenhuma espécie conhecida na literatura que possa causar este tipo de efeitos nos seres humanos.

Segundo Nuno Lacasta, apesar de não se ter identificado a causa, os sintomas “do ponto de vista de saúde pública não justificaram medidas distintas das que foram tomadas, e o levantamento [agora anunciado] ocorre no seguimento dos acontecimentos”.

Ainda assim, as medidas de monitorização vão continuar e o presidente da APA pede para se notificar a Polícia Marítima “se houver novas ocorrências”.

Notícia actualizada às 22h05: subsitui notícia de agência por texto próprio