A melhor Feira do Livro dos últimos anos?

A poucas horas de terminar, os editores fazem já um balanço muito positivo. Organização ainda não tem os números finais mas fala num recorde de visitantes, ou seja, mais de meio milhão de pessoas.

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Se problemas ou críticas existem à edição deste ano da Feira do Livro de Lisboa, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) fê-los esquecer para já com uma edição aplaudida pela maioria dos editores. Muito deste sucesso deve-se à mudança de data, com o regresso ao final de Maio/início de Junho, acreditam.

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Se problemas ou críticas existem à edição deste ano da Feira do Livro de Lisboa, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) fê-los esquecer para já com uma edição aplaudida pela maioria dos editores. Muito deste sucesso deve-se à mudança de data, com o regresso ao final de Maio/início de Junho, acreditam.

A questão do bom tempo é sempre uma incógnita mas é certo que estando mais perto do Verão é expectável que o sol apareça por mais tempo. A edição do ano passado, que aconteceu em Abril, ficou marcada pelos longos dias de chuva, coisa que este ano quase não aconteceu. E isso terá ajudado a que mais pessoas visitassem a feira, como ainda esta segunda-feira se pôde comprovar. “As pessoas têm mais vontade de sair e de estar no Parque [Eduardo VII, recinto da Feira] ”, diz Bárbara Bulhosa, editora da Tinta da China, considerando que por isso “está muito melhor este ano”.

Luís Oliveira, editor da Antígona, é da mesma opinião, e garante que “nunca mais” volta a autorizar que a feira se possa realizar numa data que não esta. “Depois de ver como a edição deste ano correu tão bem, percebo que nos outros anos fomos prejudicados. Perdemos imenso dinheiro”, diz ao PÚBLICO o editor, que nunca esperou resultados tão positivos.

“Tendo em conta a situação que o país atravessa, nunca imaginei que as vendas pudessem ser tão altas”, continua Luís Oliveira, avançando, “ainda sem contas exactas”, que a editora registou uma subida de 25% nas vendas. Entre as obras mais procuradas pelo público, o editor destaca A Quinta dos Animais e Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, de George Orwell. “Vendemos cerca de 600 a 700 unidades destes livros, quase todos os dias tivemos de fazer reposições”, explica.

Na Tinta da China, diz Bárbara Bulhosa, a estrela foi o primeiro número da Granta portuguesa, que foi lançado há quase três semanas na Feira. “Foi o livro mais vendido”, assegura a editora, para quem este ano “foi uma edição excepcionalmente positiva”. Além da Granta, entre as obras mais procuradas destacou-se O Bom Soldado Svejk, de Jaroslav Hasek, livro que em 2012 foi considerado pelo PÚBLICO como o melhor do ano. “Mas as pessoas também compraram muito Os Cadernos de Pickwick, de Charles Dickens, Salazar e o Poder, de Fernando Rosas”, continua Bulhosa, acrescentando que a “colecção de viagens também é sempre muito procurada”. “Na verdade nós não temos três ou quatro autores que vendam muito e os outros pouco. Há um equilíbrio nas vendas”, acrescenta, concluindo que também os livros mais caros são comprados na Feira devido aos descontos.

Para José Menezes, da Leya, há uma tendência que se mantém nos últimos anos. “As pessoas procuram muito autores de língua portuguesa”, explica o editor, que também acredita que a mudança de datas influenciou positivamente a edição deste ano. “Estamos mesmo muito satisfeitos, quer em termos de vendas quer em termos de afluência de público.” Ainda sem o balanço oficial final, Menezes garante que “tudo aponta para bons resultados”. E entre os livros mais vendidos estão o vencedor do Prémio Leya de 2012, Nuno Camarneiro com Debaixo de Algum Céu, e Mia Couto, que recebe esta noite o Prémio Camões. “A presença na feira de Mia Couto, que veio a Lisboa para receber o prémio, também fez com que se vendessem mais livros, as pessoas querem ter um autógrafo do Mia Couto”, continua José Menezes, destacando ainda o facto de a edição deste ano ter menos dois dias que a de 2012 e mesmo assim os resultados serem iguais ou superiores.

Na Porto Editora o sentimento de satisfação é o mesmo. “Esta feira foi especial”, começa logo por dizer Paulo Gonçalves, explicando que antes de a Feira começar as expectativas da editora “eram realistas, tendo em conta que os primeiros meses de 2013 confirmaram a queda de 10% do mercado do livro”. Mas na feira esta queda não aconteceu.

“Eu acredito que as pessoas aproveitaram a feira para comprar os livros que não compraram antes, ou seja, esperaram pela feira para pôr em dia a leitura e comprar com descontos”, explica o editor, destacando ainda a “extraordinária afluência de público”.

Para a Porto Editora esta edição ficou ainda marcada pelo regresso de Miguel Esteves Cardoso, que lançou recentemente Como é linda a puta da vida, à Feira do Livro de Lisboa. A última – e única – pre­sença do escritor na Feira do Livro de Lis­boa data de 1987, há quase trinta anos. “Foi extraordinário, o Miguel Esteves Cardoso esteve a tarde toda a assinar”, conta Paulo Gonçalves, acrescentando ainda outros sucessos de vendas: José Luís Peixoto, Luís Sepúlveda e Luís Miguel Rocha (“o autor português que mais vendeu este ano com A Filha do Papa”).

Cristina Ovídio, da editora Clube de Autor, acrescenta ainda a procura das pessoas pelo contacto com os autores, em especial com aqueles que já conhecem bem, como é o caso de Miguel Sousa Tavares. “As pessoas não procuram só o autógrafo, como gostam também de dar a sua opinião, de se sentirem ouvidas pelo autor”, diz a editora, que acredita que este ano houve mais gente no Parque Eduardo VII. “Senti que este ano a feira estava a desbordar de vida.” Mário Zambujal e Helena Sacadura Cabral foram os outros autores da editora também muito procurados.

Para José Prata, da Lua de Papel, os autores mais procurados na feira são por norma aqueles que já são procurados nas livrarias. No caso da sua chancela, a estrela é Nuno Lobo Antunes com o seu mais recente romance, Em Nome do Pai. “Foi o mais vendido, de longe, muito mais que As 50 Sombras de Grey”, diz o editor, acrescentando que se registou também uma grande procura de livros de fundo de catálogo. “Até porque muitos já não se encontram nas livrarias”, conclui José Prata.

Os números finais e oficiais só deverão ser conhecidos nos próximos dias mas Bruno Pires Pacheco, da APEL, não tem dúvidas de que independentemente do que sairá dessa análise a avaliação é já positiva. "Foi uma feira muito concorrida, talvez a mais concorrida de sempre", diz sem hesitar, referindo-se ao número de visitantes. Antes de a Feira começar, a organização já tinha dito que queria bater o recorde. Em relação às vendas, Bruno Pires Pacheco acredita que estão de acordo com as do ano passado.

Desta edição o organizador lembra ainda o contributo de 30 voluntários, que ajudaram a tornar a Feira melhor. "O público gostou muito, foi muito positivo", diz Pires Pacheco, garantindo que é uma iniciativa para continuar nos próximos anos.

A Feira do Livro de Lisboa encerra esta segunda-feira às 23h, até lá ainda existem actividades, sessões de autógrafos e descontos.