Quase 9% dos trabalhadores do sexo em Portugal têm VIH

Portugal está entre os cinco países da Europa com mais trabalhadores do sexo infectados, revela estudo do Centro Europeu de Controlo de Doenças.

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Os dados para Portugal foram recolhidos no Porto, Coimbra, Lisboa e Faro AFP

O ECDC iniciou hoje a divulgação de uma série de dez documentos sobre a resposta europeia ao VIH. A primeira etapa envolve três relatórios, um sobre a coordenação e recursos dedicados à infecção, o segundo sobre o tratamento e apoio dado às pessoas infectadas e, por fim, o terceiro dedicado à prevalência de VIH especificamente entre trabalhadores do sexo. Neste último documento, Portugal destaca-se por surgir entre os países mais afectados. O relatório nota que os números divulgados não são resultado de um estudo nacional e estão baseados em amostras. No caso de Portugal, trata-se de dados recolhidos em quatro cidades: Porto, Coimbra, Lisboa e Faro.

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O ECDC iniciou hoje a divulgação de uma série de dez documentos sobre a resposta europeia ao VIH. A primeira etapa envolve três relatórios, um sobre a coordenação e recursos dedicados à infecção, o segundo sobre o tratamento e apoio dado às pessoas infectadas e, por fim, o terceiro dedicado à prevalência de VIH especificamente entre trabalhadores do sexo. Neste último documento, Portugal destaca-se por surgir entre os países mais afectados. O relatório nota que os números divulgados não são resultado de um estudo nacional e estão baseados em amostras. No caso de Portugal, trata-se de dados recolhidos em quatro cidades: Porto, Coimbra, Lisboa e Faro.

Segundo o relatório, 13,5% (homens) e 7,9% (mulheres) dos trabalhadores do sexo em Portugal estão infectados com VIH. Apesar da elevada prevalência, Portugal está também entre os países com maior percentagem de cobertura nos testes de despistagem realizados. Os dados de 22 países mostram que as taxas de testes variam entre os 12% e os 82% do universo total de trabalhadores e que em sete países, entre os quais Portugal, ultrapassam os 60%. Num quadro mais detalhado vê-se que, em Portugal, a taxa de cobertura dos testes é de 72,8%, no caso dos homens, e de 69% no universo das mulheres.

Por outro lado, Portugal surge também entre os países que relatam uma percentagem mais elevada no uso do preservativo entre este grupo, com taxas que rondam os 90% — mais precisamente, 87% (homens) e 96% (mulheres). Por fim, nos dados sobre a cobertura desta população nos programas nacionais do VIH, nomeadamente com acções de prevenção, constata-se que as percentagens ficam-se pelos 43% nos homens e 40% nas mulheres.

O relatório compara os dados obtidos em 2012 com anos anteriores e conclui que a prevalência do VIH no grupo dos trabalhadores do sexo mantém-se reduzida na Europa e na Ásia Central. Porém, os especialistas sublinham a importância de vigiar de forma mais atenta e contínua a infecção neste grupo mais vulnerável da população. Sobre os subgrupos, o relatório alerta que é preciso obter mais dados sobre os trabalhadores do sexo que usam drogas injectáveis e refere ainda que também há pouca informação acerca dos trabalhadores do sexo que são imigrantes, sublinhando que se trata de um fenómeno que merece mais atenção. Segundo argumentam, um estudo recente de uma rede europeia para a prevenção e promoção de saúde neste subgrupo (TAMPEP) mostra que “uma grande proporção de trabalhadores do sexo na UE são imigrantes “, a maioria de países do leste europeu que não pertencem à União Europeia, mas também da África e da América Latina.

No comunicado de imprensa do ECDC, o director Marc Sprenger sublinha que os países continuam a investir na resposta ao VIH, mas que 95% das verbas se destinam ao tratamento e cuidados de pessoas infectadas, reduzindo a percentagem para a vital actividade da prevenção. “Em especial neste período de crise económica, precisamos de garantir que o dinheiro destinado às respostas nacionais ao VIH é usado de forma eficiente e, ao mesmo tempo, garantir que aqueles que necessitem não deixarão de receber o tratamento adequado”, escreve Marc Sprenger.

Num dos capítulos do relatório do ECDC que se dedica ao tratamento e apoio de pessoas infectadas com VIH, sublinha-se que Portugal foi um dos países que terá manifestado alguma preocupação com o financiamento das terapias antiretrovirais.