Lewandowski histórico: primeiro póquer numa meia-final e ao Real Madrid na UEFA

Noite de sonho do polaco e de pesadelo para a equipa de Mourinho, que tem de recuperar três golos para estar na final da Liga dos Campeões.

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O duelo desta quarta-feira no Estádio Signal Iduna Park, em Dortmund, será para sempre recordado como o jogo de Lewandowski, que viveu uma noite histórica que aproximou a equipa orientada por Jürgen Klopp da sua segunda final da Liga dos Campeões, depois do triunfo em 1996-97 (com a contribuição de Paulo Sousa).

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O duelo desta quarta-feira no Estádio Signal Iduna Park, em Dortmund, será para sempre recordado como o jogo de Lewandowski, que viveu uma noite histórica que aproximou a equipa orientada por Jürgen Klopp da sua segunda final da Liga dos Campeões, depois do triunfo em 1996-97 (com a contribuição de Paulo Sousa).

“Definitivamente ganhou a melhor equipa”, admitiu José Mourinho. “Perdemos Lewandowski de vista em três golos”. O avançado de 24 anos tornou-se o primeiro na história da principal prova europeia de clubes a anotar quatro golos numa meia-final e também nenhum outro jogador tinha obtido um póquer contra o Real nas competições europeias.

A formação espanhola, por seu lado, só se pode agarrar ao golo marcado por Cristiano Ronaldo, que a deixa numa posição ligeiramente melhor do que o rival Barcelona, que na véspera também sofreu quatro golos perante o Bayern Munique, mas não obteve nenhum. José Mourinho, que além de Ronaldo apostou também em Fábio Coentrão e Pepe de início, pode sempre referir aos seus jogadores os três casos em que o Real recuperou uma desvantagem de três ou mais golos nas provas da UEFA.

Mas o resultado traduz fielmente a diferença de qualidade e andamento que os dois clubes mostraram nesta primeira mão. Lewandowski, que na próxima época deve seguir Mario Götze para Munique, marcou todos os golos do Dortmund, mas não jogou sozinho. O polaco foi um quebra-cabeças para Pepe, que foi batido em dois golos e ainda o colocou em jogo em outro, mas também Marco Reus, Götze, Kuba e Ilkay Gündogan foram problemas de difícil resolução para o Real Madrid. O facto de o guarda-redes Diego López ter sido um dos melhores da sua equipa foi outro sinal de desequilíbrio.

O Dortmund, que é como quem diz Lewandowski, marcou cedo. Reus foi o primeiro a testar López e aos 8’ já os adeptos da casa festejavam. Götze cruzou da esquerda e o homem da noite inaugurou o marcador. Ronaldo tentou empatar de livre, mas foi de bola corrida que o conseguiu. Para marcar, o Real Madrid precisou de um erro grave do normalmente fiável Mats Hummels, que deixou a bola à mercê de Higuaín para este fazer a assistência para o golo fácil do internacional português. Ronaldo chegou aos 12 golos esta época na Liga dos Campeões e marcou pelo sexto jogo seguido na prova, igualando os feitos do turco Burak Yilmaz e do franco-marroquino Marouane Chamakh.

Mas o registo famoso do encontro pertenceu ao n.º 9 dos visitados. O seu segundo golo chegou aos 50’, depois de uma bola metida na área por Reus, e o terceiro aos 55’ num lance semelhante (o remate desta vez é de Marcel Schmelzer) concluído com grande classe. Este último foi o melhor golo do jogo, mas Lewandowski ainda não tinha terminado o seu trabalho, marcando o seu 10.º golo em 11 jogos na prova: desta vez na transformação de um penálti por empurrão de Xabi Alonso a Reus (67’). Pelo meio houve uma grande jogada individual do médio Gündogan, travada por uma grande defesa do guarda-redes visitante, que também teve de se esforçar aos 78’ para evitar o quinto do ponta-de-lança adversário.

O Real foi dominado, mas teve oportunidade nos momentos finais de reduzir a goleada: Roman Weidenfeller saiu rápido aos pés de Ronaldo e o central Varane errou o alvo num canto. Depois da Taça UEFA de 1979-80 entre Eintracht Frankfurt e Borussia Mönchengladbach, a Alemanha está perto de voltar a ter dois clubes numa final europeia.