Sondagem diz que italianos querem novas eleições mas a maioria não sabe em quem votar

Os indecisos são 37%. São os "vencedores" deste estudo em que Berlusconi aparece mais uma vez como o político mais popular.

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Berlusconi à saída da reunião com Napolitano Stefano Rellandini /Reuters

As legislativas que se realizaram a 24 e 25 de Fevereiro não deram uma maioria clara a nenhum partido e o dirigente do mais votado, Pier Luigi Bersani (Partido Democrático, de centro-esquerda), desistiu na quinta-feira de formar governo por não ter conseguido chegar ao consenso que procurava.

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As legislativas que se realizaram a 24 e 25 de Fevereiro não deram uma maioria clara a nenhum partido e o dirigente do mais votado, Pier Luigi Bersani (Partido Democrático, de centro-esquerda), desistiu na quinta-feira de formar governo por não ter conseguido chegar ao consenso que procurava.


O Partido da Liberdade de Berlusconi (que faz uma aliança de centro-direita com a Liga Norte), obteve, na sondagem deste instituto independente, 32,5% das intenções de voto. O Partido Democrático (PD) obtém 29,6% das intenções de voto; os seguidores de Beppe Grillo e do seu Movimento 5 Estrelas (M5S), e que recusa coligar-se seja com que for e viabilizar qualquer solução de governo, perde 2,1% dos votos, mas ainda assim tem 24,8%.
 
O surgimento de Berlusconi no primeiro lugar da sondagem é relevante, mas mais importante é outro número, para o qual a SWG chama a atenção: há 37% de eleitores que não sabe em quem votar, e uma boa fatia deles poderá abster-se de ir às urnas. Este número é superior ao obtido por qualquer formação política.
 
Grillo e Bersani não se entenderam sobre a formação de uma equipa governativa, o que era previsível — o antigo comediante e o seu M5S apresentaram-se às eleições como um movimento anti-política e mantiveram-se fiéis a esse princípio. O M5S defende uma rptura que só pode acontecer se for ele a formar governo. 

No entanto, os números do SWG mostram que 50% dos eleitores italianos considera que a única forma de saír da crise política é a realização de novas eleições. O que, segundo a análise do próprio instituto de sondagens e em conjunto com o resto dos resultados, mostra que os italianos não estão confortáveis com o impasse, nem com a opção de Grillo. 
 
Mas o Presidente Napolitano está neste momento impossibilitado de convocar novas eleições, porque está na fase final do seu mandato, que termina a 15 de Maio - precisa de encontrar uma solução criativa para sair do impasse.
 

O primeiro líder político a ser recebido por Napolitano, de manhã, foi Silvio Berlusconi. À saída do encontro, este voltou a dizer que está disponível para fazer uma aliança com Bersani, considerando que este deve manter-se como primeiro-ministro indigitado. "Creio que é a única solução possível", disse Berlusconi, citado pela Reuters. Mas Bersani rejeitou sempre esta aliança com o magnata da comunicação e velha raposa da política; o líder do PD será o último a entrar no palácio presidencial, às 18h30 em Roma (menos uma em Portugal continental).

Previa-se uma conversa difícil, pelo que é possível que só amanhã Napolitano anuncie a decisão que tomou depois de falar com todos os líderes partidários.