Octávio Mateus é primeiro português a escavar achados de dinossauros na Gronelândia

Investigador da Universidade Nova de Lisboa vai integrar uma expedição internacional de três semanas na neve da Gronelândia

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Octávio Mateus é o primeiro paleontólogo português a integrar uma expedição internacional que, dentro de uma semana, vai escavar na neve da Gronelândia achados de dinossauros, enfrentando possíveis ataques de ursos polares.

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Octávio Mateus é o primeiro paleontólogo português a integrar uma expedição internacional que, dentro de uma semana, vai escavar na neve da Gronelândia achados de dinossauros, enfrentando possíveis ataques de ursos polares.

“A Gronelândia é um local relativamente inexplorado em várias áreas da ciência, uma das quais a paleontologia. Expedições anteriores mostraram a ocorrência de dinossauros e de outros fósseis e, por isso, vamos escavar durante três semanas”, afirmou à agência Lusa o paleontólogo.

Naquela que é a sua primeira expedição científica na neve, o investigador da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã compõe uma equipa de seis paleontólogos (entre dinamarqueses e americanos) de um total de onze pessoas, que vai permanecer entre 10 de Julho e 2 de Agosto em Jameson Land, na zona leste da Gronelândia, onde vai ter de lidar com diferentes adversidades.

Além da temperatura que poderá oscilar entre os zero e os 20 graus, é um sítio completamente inóspito e remoto, onde vão ter de acampar e para onde os cientistas vão ser transportados e recolhidos mais tarde de helicóptero, a partir da Islândia.

“É um local com bastantes ursos polares e vamos ter de aprender a lidar com eles, a manusear armas de fogo para os afugentar e para nos defender caso sejamos atacados, por isso teremos de ter sempre rondas de vigilância para garantir a nossa segurança”, explicou Octávio Mateus, lembrando que estes animais são os únicos predadores da actualidade a incluir os humanos na sua dieta alimentar.

Estudar a evolução

As expectativas de encontrar fósseis de dinossauro são elevadas, uma vez que nas anteriores já foram descobertos ossos de "plateosaurus", pegadas de "terópodes" (dinossauros carnívoros) e "temnospôndilos", semelhantes a enormes salamandras, com 210 a 220 milhões de anos, do Triásico.

“Como essa data corresponde ao início da evolução dos dinossauros, tudo o que descobrirmos vai dizer-nos um pouco como é que todos os outros dinossauros apareceram depois destes”, explicou, o que vai permitir acrescentar novos dados à história evolutiva destes animais.

Sendo os "plateosaurus" animais do início da era dos dinossauros e cuja existência é conhecida em vários países da Europa (precederam os saurópodes — dinossauros de grande porte e pescoço comprido), viveram na altura em que os continentes estavam próximos uns dos outros, por isso “podem ajudar a perceber a história de como os continentes se desuniram”.

Além disso, a existência de dinossauros em ambientes polares, quer na Antárctida quer na Gronelândia, vai possibilitar aos cientistas perceber a sua paleobiologia, uma vez que são os únicos répteis a existir em climas frios, o que significa que eram detentores de uma regulação de temperatura muito diferente dos actuais répteis.