Crónica

É refrescante, por uma vez, ver um filme que leva os adolescentes e os seus problemas de crescimento e responsabilidade a sério, mesmo pelo meio de uma premissa que parece querer aproveitar a vaga dos filmes fantásticos que utilizam as técnicas do “home-video” e da câmara de vigilância.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

É refrescante, por uma vez, ver um filme que leva os adolescentes e os seus problemas de crescimento e responsabilidade a sério, mesmo pelo meio de uma premissa que parece querer aproveitar a vaga dos filmes fantásticos que utilizam as técnicas do “home-video” e da câmara de vigilância.


Mas “Crónica”, a história do modo como a exposição a um cristal misterioso afecta três liceais de Seattle, um dos quais com sérios problemas de auto-estima, está mais perto do teatro de crueldades da sociedade adolescente de uma “Carrie” de De Palma, ao mesmo tempo que pega no tradicional filme de super-heróis para o puxar para um realismo falsamente “low-budget” que lhe está habitualmente vedado.

Não é do lado de “Actividade Paranormal” ou mesmo do “Projecto Blair Witch” que se devem procurar as referências - pense-se no subvalorizadíssimo “Primer” (2004) de Shane Carruth, e começamos a chegar mais perto de um filme que, apesar das fraquezas, tem muito mais para ferrar o dente do que a proverbial pipoca descartável (para já não falar da maior parte da concorrência “blockbuster”).