Mel

Urso de Ouro em Berlim 2010, "Mel" revela em Portugal o cineasta turco Semih Kaplanoglu, que encerra com este filme uma trilogia livremente autobiográfica iniciada com "Yumurta" (2007) e "Süt" (2008). Percebe-se que o júri de Werner Herzog se tenha deixado levar pela natureza contemplativa, idílica, com que Kaplanoglu conta a sua história de uma infância rural de um menino de seis anos, filho de camponeses: "Mel" imerge-nos numa espécie de Éden intocado onde, apesar da luz eléctrica e dos telefones, é a tradição que comanda. Mas o olhar ao nível da criança que Kaplanoglu consegue recuperar, o lado quase etnográfico que, em conjunto, criam por acumulação um ambiente quase mágico, sensorial, com algo da inocência pastoral de um Terrence Malick, embate na vontade de construir uma narrativa para "segurar as pontas" - e é aí que o filme se afunda, com a sensação de que Kaplanoglu sabe exactamente o que quer filmar, mas não sabe exactamente o que quer contar. Isso não invalida que haja aqui belíssimos momentos de cinema, sobretudo quando se projecta uma memória sensorial da descoberta do mundo.

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Urso de Ouro em Berlim 2010, "Mel" revela em Portugal o cineasta turco Semih Kaplanoglu, que encerra com este filme uma trilogia livremente autobiográfica iniciada com "Yumurta" (2007) e "Süt" (2008). Percebe-se que o júri de Werner Herzog se tenha deixado levar pela natureza contemplativa, idílica, com que Kaplanoglu conta a sua história de uma infância rural de um menino de seis anos, filho de camponeses: "Mel" imerge-nos numa espécie de Éden intocado onde, apesar da luz eléctrica e dos telefones, é a tradição que comanda. Mas o olhar ao nível da criança que Kaplanoglu consegue recuperar, o lado quase etnográfico que, em conjunto, criam por acumulação um ambiente quase mágico, sensorial, com algo da inocência pastoral de um Terrence Malick, embate na vontade de construir uma narrativa para "segurar as pontas" - e é aí que o filme se afunda, com a sensação de que Kaplanoglu sabe exactamente o que quer filmar, mas não sabe exactamente o que quer contar. Isso não invalida que haja aqui belíssimos momentos de cinema, sobretudo quando se projecta uma memória sensorial da descoberta do mundo.