Foi com o anel que era da mãe que William pediu Kate em casamento. Ela disse que sim

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Mas a paciência é uma virtude que, aparentemente, Kate possui em doses generosas. Na impiedosa imprensa britânica, ela já era designada como "Waity Katie", cujo destino seria esperar toda a vida por um pedido de casamento que teimava em não chegar, apesar do seu namoro de anos com William, o príncipe bem-comportado em quem os britânicos depositam elevadas esperanças de renovação da monarquia.

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Mas a paciência é uma virtude que, aparentemente, Kate possui em doses generosas. Na impiedosa imprensa britânica, ela já era designada como "Waity Katie", cujo destino seria esperar toda a vida por um pedido de casamento que teimava em não chegar, apesar do seu namoro de anos com William, o príncipe bem-comportado em quem os britânicos depositam elevadas esperanças de renovação da monarquia.

Juntos desde 2003, William e Kate vinham alimentando a infernal máquina de rumores dos tablóides com notícias contraditórias: eles tanto eram apaixonados inseparáveis a caminho do altar, como amantes amargurados depois de mais uma ruptura.

Ontem, perante os jornalistas, no Palácio de St. James, em Londres, Kate já tinha no dedo o anel de safira azul debruado de diamantes que, em Fevereiro de 1981, a princesa Diana recebeu do pai do noivo, Carlos, o príncipe de Gales. "Foi a minha maneira de me certificar de que a minha mãe estava presente neste momento", explicou William.

O pedido aconteceu no mês passado, durante umas férias no Quénia. "Chegou a altura", explicou, simplesmente, William. "Foi muito romântico", revelou Kate que, como Diana há quase 30 anos, escolheu um vestido azul para a sua apresentação oficial como noiva real. A perspectiva de se tornar um dia rainha é "ligeiramente aterradora". Mas ela acredita que será "capaz". "O William é um excelente professor", acrescentou.

A tarefa era teoricamente mais fácil para Diana Spencer, que muito antes de ser "a princesa do povo", estava habituada às rotinas da alta aristocracia britânica. Já Kate, oriunda de uma família típica de classe média, sem a mais remota ligação ao mundo da realeza, terá de aprender a movimentar-se no círculo dos monarcas.

As duas têm, apesar de tudo, muito em comum. Ambas passaram a infância em colégios internos e já adolescentes frequentaram escolas exclusivas que garantem o convívio com a mais promissora sociedade e dão acesso às mais reputadas universidades.

Mais: em criança Diana sonhava namorar com Carlos; Kate adormecia a olhar para o poster de William que colara na parede do seu quarto. E também como Diana, Kate era uma adolescente elegante e esguia, talentosa, criativa, dotada para o desporto e popular entre os colegas.

Mas, assinalavam ontem os observadores da realeza britânica, na hora do noivado as duas não podiam ser mais diferentes. Aos 28 anos, Kate é uma mulher emancipada e confiante, que nada deve intelectualmente ou profissionalmente ao seu futuro marido. Com 20 anos, a tímida Diana era insegura e ávida por agradar a um homem 12 anos mais velho que ela não conseguia compreender.

A rainha Isabel II manifestou "enorme satisfação" com o casamento do neto. O príncipe Carlos disse sentir-se "obviamente muito entusiasmado" e sugeriu que já não era sem tempo que o casal se decidisse. "Eles têm andado a treinar há muito tempo", gracejou.

Um país "feliz"

William e Kate conheceram-se em 2001, quando os dois chegaram à Universidade de St. Andrews, em Fife, na Escócia. Eram colegas de turma e, alegadamente, foi por causa de Kate que o príncipe herdeiro não deixou os estudos no fim do primeiro ano - terá sido ela a convencê-lo a trocar o curso de História de Arte pelo de Geografia.

Em 2002 deixaram as residências universitárias e passaram a partilhar um apartamento com outros dois colegas, mas a popular Kate, nessa altura, tinha outro namorado. O seu relacionamento só começou um ano mais tarde.

O namoro floresceu durante os fins-de-semana que passavam, isolados, no castelo de Balmoral, a propriedade da família real na Escócia. E sobreviveu à transição da universidade para a vida adulta: Kate foi para Londres e passou a ser seguida pelos paparazzi; William ingressou na Academia Militar, em Sandhurst, a cerca de 50 quilómetros da capital.

Em 2007, estiveram separados durante uns meses.Mas reataram e tornaram-se de novo inseparáveis, o que imediatamente levou a que se especulasse que o casamento estaria iminente. Quando, no início deste ano, lhe perguntaram se já tinha tomado a decisão de se casar, William aconselhou calma aos correspondentes reais. "Ainda vão ter de esperar um bocado."

Os pais de Kate, Carole e Michael, souberam a novidade há cerca de três semanas, quando William, cumprindo a tradição, lhes pediu a mão da filha em casamento. Ontem, a imprensa invadiu a casa dos Middleton, em Bucklebury, a 45 quilómetros de Londres, que serve de sede da sua empresa Party Pieces, uma loja online que vende brinquedos e restante parafernália para festas infantis e que fez dos dois antigos funcionários da indústria da aviação (ela assistente de bordo e ele piloto) empresários de sucesso.

Depois do casamento, William e Kate pretendem estabelecer-se em Anglesey, no Norte do País de Gales, onde o príncipe cumpre serviço militar na Força Aérea, pilotando os helicópteros usados em operações de busca e salvamento.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, declararam-se ambos "encantados" com a notícia. "É maravilhoso ouvir uma boa notícia que genuinamente deixa o país muito feliz", disse o primeiro-ministro, que contou que os funcionários em Downing Street rebentaram em aplausos ao saber da novidade.

Será a sexta vez que os britânicos têm uma rainha Catarina. A última, Catarina Henriqueta de Bragança, princesa de Portugal e rainha consorte de Inglaterra e da Escócia, casou-se com o rei Carlos II em 1662. Não foi uma união feliz, e Catarina, católica e infértil, era odiada pelos súbditos do marido.

Notícia substituída em 17.11.2010, às 19h09