António Variações íntimo e pessoal, vai a leilão

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António Variações era um coleccionador - de santinhos, de bonecos de plástico nus e carecas como bebés, de faiança portuguesa, o que confirma o “folclorista” que ele era (era assim que se definia musicalmente). Tudo isso está registado em fotografias tiradas em casa de Variações (as paredes são verdes, não há que enganar) e tudo isso, incluindo as fotografias, irá a leilão em Novembro.

A P4, a casa que no ano passado leiloou o conteúdo da mítica arca de Fernando Pessoa, chegou a acordo com a família do cantor - oito irmãos, a viver entre Braga e Londres - para leiloar o espólio pessoal de António Variações, que inclui manuscritos, correspondência, objectos pessoais, guarda-roupa, fotografias inéditas. Polaróides tiradas em Nova Iorque. António antes de ser Variações, a preto e branco, um mancebo sem barba rija, em tronco nu no meio do mato. Com os pais, ou na tropa em Angola. As sessões de fotografias na Fonte da Telha, com pulseiras feitas de dobradiças, tesoura a fazer de óculos e traje minimal.
Um programa de concerto de Amália Rodrigues, autografado pela própria: “Para o António, tão bonito que parece estrangeiro...”. O casaco xadrez Pierre Cardin. Os brincos. Um esboço da capa do primeiro álbum, Anjo da Guarda.

Se não for António Variações como nunca o vimos, é mais António Variações do que alguma vez vimos.
"Não sabíamos o que íamos encontrar, e o que encontrámos é surpreendente”, diz Luís Trindade, da P4. Um espólio “muito vasto”, que daria “para fazer 400 lotes”, cada lote correspondendo a uma peça ou série de peças, mas que o leiloeiro calcula que ficará por metade desse número. O que o P2 viu, e que parecia o conteúdo de um sótão, corresponde ao espólio em bruto, antes da selecção, restauro e enquadramento das peças (identificação, datação, contexto).

Uma arqueologia apetecível para biógrafos e historiadores de cultura pop, certamente, e os tempos estão de feição para a memória de Variações - há uma data redonda (em Junho, passaram 25 anos sobre a sua morte), uma nova geração de músicos a cantar em português que vê em Variações uma referência, e há um projecto para um filme sobre o cantor, do realizador João Maia. Chegará para garantir um público interessado em comprar memorabilia de António Variações, para atrair coleccionadores?
A P4 tem feito por estender o mercado leiloeiro português a áreas novas - em Julho, realizou um leilão com peças de colecções da designer de moda Lidija Kolovrat - mostrando que existe nelas um potencial de coleccionismo. Segundo Luís Trindade, os leilões podem servir “para valorizarem as peças”. Filho de antiquário, considera que a actividade leiloeira em Portugal é “pesada” e “pouco fresca”, e que “há coisas que podem ter cotação” fora dos “mercados mais tradicionais”. Em Novembro, saberemos se estava na altura de coleccionarmos António Variações.

http://www.p4liveauctions.com/

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António Variações era um coleccionador - de santinhos, de bonecos de plástico nus e carecas como bebés, de faiança portuguesa, o que confirma o “folclorista” que ele era (era assim que se definia musicalmente). Tudo isso está registado em fotografias tiradas em casa de Variações (as paredes são verdes, não há que enganar) e tudo isso, incluindo as fotografias, irá a leilão em Novembro.

A P4, a casa que no ano passado leiloou o conteúdo da mítica arca de Fernando Pessoa, chegou a acordo com a família do cantor - oito irmãos, a viver entre Braga e Londres - para leiloar o espólio pessoal de António Variações, que inclui manuscritos, correspondência, objectos pessoais, guarda-roupa, fotografias inéditas. Polaróides tiradas em Nova Iorque. António antes de ser Variações, a preto e branco, um mancebo sem barba rija, em tronco nu no meio do mato. Com os pais, ou na tropa em Angola. As sessões de fotografias na Fonte da Telha, com pulseiras feitas de dobradiças, tesoura a fazer de óculos e traje minimal.
Um programa de concerto de Amália Rodrigues, autografado pela própria: “Para o António, tão bonito que parece estrangeiro...”. O casaco xadrez Pierre Cardin. Os brincos. Um esboço da capa do primeiro álbum, Anjo da Guarda.

Se não for António Variações como nunca o vimos, é mais António Variações do que alguma vez vimos.
"Não sabíamos o que íamos encontrar, e o que encontrámos é surpreendente”, diz Luís Trindade, da P4. Um espólio “muito vasto”, que daria “para fazer 400 lotes”, cada lote correspondendo a uma peça ou série de peças, mas que o leiloeiro calcula que ficará por metade desse número. O que o P2 viu, e que parecia o conteúdo de um sótão, corresponde ao espólio em bruto, antes da selecção, restauro e enquadramento das peças (identificação, datação, contexto).

Uma arqueologia apetecível para biógrafos e historiadores de cultura pop, certamente, e os tempos estão de feição para a memória de Variações - há uma data redonda (em Junho, passaram 25 anos sobre a sua morte), uma nova geração de músicos a cantar em português que vê em Variações uma referência, e há um projecto para um filme sobre o cantor, do realizador João Maia. Chegará para garantir um público interessado em comprar memorabilia de António Variações, para atrair coleccionadores?
A P4 tem feito por estender o mercado leiloeiro português a áreas novas - em Julho, realizou um leilão com peças de colecções da designer de moda Lidija Kolovrat - mostrando que existe nelas um potencial de coleccionismo. Segundo Luís Trindade, os leilões podem servir “para valorizarem as peças”. Filho de antiquário, considera que a actividade leiloeira em Portugal é “pesada” e “pouco fresca”, e que “há coisas que podem ter cotação” fora dos “mercados mais tradicionais”. Em Novembro, saberemos se estava na altura de coleccionarmos António Variações.

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