Gaza: iminente um ataque israelita de represália

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Os túneis de Rafah foram rapidamente reparados depois da ofensiva israelita Ibraheem Abu Mustafa/Reuters (arquivo)

As mensagens israelitas, em árabe, dizem que “as pessoas que trabalham nos túneis, vivem perto deles ou estão a dar apoio logístico a terroristas devem deixar imediatamente a área”, pois o primeiro-ministro, Ehud Olmert, e o ministro da Defesa, Ehud Barak, deram instruções às tropas para lançar ataques de represália contra objectivos do Hamas, depois dos ataques de hoje de manhã com rockets Grad.

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As mensagens israelitas, em árabe, dizem que “as pessoas que trabalham nos túneis, vivem perto deles ou estão a dar apoio logístico a terroristas devem deixar imediatamente a área”, pois o primeiro-ministro, Ehud Olmert, e o ministro da Defesa, Ehud Barak, deram instruções às tropas para lançar ataques de represália contra objectivos do Hamas, depois dos ataques de hoje de manhã com rockets Grad.

Um dos rockets de longo alcance caiu na cidade de Ashkelon na altura em que delegados do movimento de resistência islâmico Hamas se reuniam no Cairo para conversações com entidades egípcias que tentam servir de mediadores numa tentativa de tréguas prolongadas com o Estado de Israel.

Foi o primeiro engenho de tal género a ser disparado para aquela cidade de 122.000 habitantes desde que um cessar-fogo foi proclamado separadamente há duas semanas por Israel e pelo Hamas, mas não chegou a ferir ninguém.

Depois de Olmert e Barak se terem reunido com a ministra dos Negócios Estrangeiros, Tzipi Livni, foi repetido o aviso governamental de que se irão verificar graves consequências no caso de continuarem a ser disparados rockets.

Rafah, a cidade que parece estar agora na mira do fogo israelita, fica junto à fronteira de Gaza com o Egipto e é um centro para o contrabando de bens e de armas, por meio de túneis que foram rapidamente reparados depois da ofensiva que Israel lançou no mês passado para tentar retirar todo o espaço de manobra ao Hamas.

Entretanto, durante uma visita ao local onde caiu o rocket, em Ashkelon, o líder do bloco conservador Likud, Benjamin Netanyahu, ameaçou acabar de vez com a administração do Hamas na Faixa de Gaza no caso de voltar a ser primeiro-ministro na sequência das eleições legislativas marcadas para a próxima semana.

UE pode ser mais flexível

Entretanto, ao mesmo tempo que não desiste de lançar rockets, o Hamas também procura actuar o mais possível no campo da diplomacia internacional, tentando ganhar nova compreensão para a sua causa.

Ontem, na cidade de Damasco, capital síria, o ministro irlandês dos Negócios Estrangeiros, Micheál Martin, admitiu que a futura política da União Europeia terá de vir a ter em conta essa realidade incontornável que é a existência do movimento de resistência islâmica. Segundo ele, o Hamas e outros “actores regionais” têm-se dirigido nos últimos tempos a Bruxelas no sentido de vir a ser mais flexível na forma como encara a situação no Médio Oriente.