Smartphones em Portugal ultrapassaram telemóveis tradicionais

Equipamentos mais baratos estão a captar a atenção dos consumidores.

O ano passado foi o primeiro em que a procura por smartphones em Portugal ultrapassou a de telemóveis tradicionais. Dos 4,12 milhões de aparelhos enviados para as lojas, cerca de 2,13 milhões – correspondentes a 52% – foram smartphones, de acordo com informação dada ao PÚBLICO pela analista IDC. Este número significa um crescimento de 21% face a 2012. Já os telemóveis convencionais caíram 27%.

A mudança nas preferências dos consumidores acompanha a tendência internacional. Foi também em 2013 que os smartphones passaram a representar mais de metade do mercado global: 55% do total mundial, segundo a IDC; 58%, de acordo com a Gartner. Mas a adopção em Portugal está a ser mais lenta do que noutros países, sobretudo europeus, nota o director geral da IDC Portugal, Gabriel Coimbra: “O mercado está a evoluir, mas não se encontra maduro. Noutros países da Europa, como no caso do Reino Unido, em 2010 já se vendiam tantos smartphones como telefones normais.”

A quebra no poder de consumo está a contribuir para atrasar a transição, observa Coimbra. “A crise económica teve um efeito e vai continuar a ter. O consumo privado diminuiu de forma significativa. E há, claro, uma questão de literacia. O segmento com mais educação adoptou as tecnologias de forma muito rápida. Mas há uma outra camada da população que não tem uso para um smartphone”.

As estimativas da IDC apontam para que, em 2017, sejam postos à venda em Portugal aproximadamente três milhões de smartphone e menos de um milhão de telemóveis tradicionais. Os números, como é prática habitual entre as analistas do sector, dizem respeito aos aparelhos que são enviados pelos fabricantes para o retalho, uma métrica que é usada como um indicador da procura.

Em Portugal, tal como no mercado mundial, o mercado dos smartphones é liderado pela Samsung, que tinha no terceiro trimestre de 2013 (os dados mais recentes da IDC) uma quota de 38%, com 215 mil unidades enviadas para as lojas. A empresa comercializa sobretudo telemóveis equipados com Android e tem modelos para vários patamares de preços. Em segundo lugar, surge a LG, com 16% (e que é a quarta maior fabricante a nível mundial), e em terceiro está a Apple, com 9% (segunda a nível mundial). A LG tinha registado naquele trimestre um crescimento anual explosivo, de 381%, ao passo que a Samsung se ficou pelos 6%.

A quebra na procura por telemóveis tradicionais significou também que, em termos de unidades postas à venda, o mercado total de telemóveis encolheu. Mas isto não significa uma quebra de facturação, já que os smartphones tendem a ser mais caros. “Portugal esteve acima da média de crescimento de facturação”, observou o responsável pelo sector móvel da Samsung em Portugal, Nuno Parreira, referindo-se ao negócio desta empresa.

Parreira antevê mudanças ao longo de 2014, com os segmentos mais baratos a ganharem importância. “Quando transitámos de 2012 para 2013, os segmentos mais populares eram os topo de gama. O que temos neste com a democratização [dos smartphones] é cada vez mais produtos abaixo dos 200 euros”. O responsável diz que está a crescer o segmento de muito baixa gama, com equipamentos abaixo dos 100 euros, embora note que este não é o segmento que mais interessa à marca. Também Gabriel Coimbra refere “um crescimento muito significativo” na procura por smartphones com preços entre os 75 e os 100 euros.

Parreira explica que a estratégia da Samsung em Portugal passa pelos modelos topo de gama (a empresa prepara-se para apresentar um novo Galaxy no World Mobile Congress, em Barcelona, na próxima semana), pelos tablets de sete polegadas e pelos chamados smartwatches, relógios que incorporam algumas características dos telemóveis. Parreira não quis revelar quantas unidades a marca vendeu desde que colocou o relógio Galaxy Gear nas lojas em Portugal, no final de Setembro. Afirmou apenas que a procura ficou “bem acima da expectativa”, mas admitiu que os compradores serão sobretudo os mais entusiastas das tecnologias, que tendem a adoptar os novos equipamentos antes da generalidade dos consumidores.

Numa tentativa de introduzir uma nova categoria de produto, várias marcas – desde multinacionais como a Samsung e a Sony até pequenas empresas – têm fabricado estes relógios, que podem funcionar autonomamente ou ter de ser emparelhados com telemóveis e tablets. Podem servir para fazer chamadas, aceder à Internet, reproduzir música e também têm funcionalidades para quem pratica desporto, como o registo de distâncias percorridas. Por ora, são um produto de nicho.

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