A transferência que agitou o último dia do mercado só vai ter efeitos depois do Verão

Pep Guardiola vai treinar o Manchester City.

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Guardiola orientará o Bayern Munique até ao final da época REUTERS/Rafael Marchante

O período de transferências de Inverno terminou com um dia invulgarmente calmo nos principais campeonatos europeus. Desta vez os clubes não cederam ao pânico e contiveram-se nas contratações de última hora, ao ponto de a transferência mais sonante do dia ter sido a de um treinador e que só terá efeitos depois do Verão: o Manchester City anunciou um acordo com Pep Guardiola, que deixará o Bayern Munique para assumir o comando técnico dos citizens.

“Podemos confirmar que nas últimas semanas finalizámos as negociações contratuais com Pep Guardiola para que se torne treinador do Manchester City a partir da época 2016-17. O contrato é válido por três anos. Estas negociações foram o retomar de conversas mantidas em 2012”, podia ler-se no comunicado do clube, justificando o anúncio prematuro da mudança técnica como forma de evitar a especulação. “O meu contrato expirará na data prevista. Não estão a fazer nada nas minhas costas. Já sabia há um mês. Mas os rumores e a especulação não são bons. Preferimos acabar com isso, daí dizermos já à comunicação social e aos jogadores”, afirmou o ainda treinador do City, Manuel Pellegrini.

Para Pep Guardiola, o Manchester City será o terceiro clube da carreira enquanto treinador, depois de Barcelona e Bayern Munique. Na Alemanha conquistou dois títulos de campeão, uma Taça da Alemanha, um Mundial de clubes e uma Supertaça europeia. Antes, quando saiu de Espanha, já tinha no currículo três títulos de campeão, duas Taças de Espanha, três Supertaças de Espanha, duas Ligas dos Campeões, duas Supertaças europeias e dois Mundiais de clubes.

O comunicado dos citizens, lançado ao início da tarde, prometia dar o mote para um dia animado no mercado de transferências. Mas a expectativa não se verificou – aliás, os dados do Transfer Matching System, o sistema da FIFA para regular as transferências, traduziam uma queda no número de contratações feitas na janela de Inverno. Entre 1 e 31 de Janeiro foram concretizadas 1905 transferências, contra 2374 em t2014. Mesmo não estando incluídos os negócios do último dia, o abrandamento foi notório.

A postura generalizada foi de tranquilidade, personificada pelo treinador do Arsenal, Arsène Wenger, que rejeitou recorrer ao mercado. “Este período de transferências foi muito mais parado do que eu esperava. Pensei que houvesse mais actividade”, confessou o técnico francês, acrescentando, com uma pitada de humor: “Pode sempre acontecer um milagre. Se o Messi vier bater à porta não vou dizer-lhe para voltar para Barcelona”.

Sem nenhuma novidade nas entradas, o Arsenal emprestou o defesa Mathieu Debuchy ao Bordéus até ao final da época. Mas o animador do dia em Inglaterra foi o Everton, que contratou Oumar Niasse ao Lokomotiv Moscovo por 17,9 milhões de euros. O atacante senegalês, que fez 13 golos e dez assistências em 23 jogos pelo emblema russo na temporada em curso, assinou até 2020. Já o “aflito” Newcastle viu chegar, por empréstimo da Roma, o marfinense Seydou Doumbia.

O internacional português Éder, contratado pelo Swansea City ao Sp. Braga no Verão, foi cedido até ao final da época ao Lille. O avançado disputou 17 jogos pelos swans e não marcou qualquer golo. Outro português, Ricardo Costa, deixou o futebol grego, tendo rescindido com o PAOK para rumar a Espanha, onde vai jogar no Granada.

Em Espanha, a transferência de maior destaque foi o empréstimo de Cheryshev ao Valência por parte do Real Madrid. O atacante russo, que custou aos merengues a eliminação na Taça do Rei por ter sido indevidamente utilizado (tinha um castigo a cumprir), muda-se para o emblema che, que ironicamente ainda está na prova. O uruguaio ex-FC Porto Álvaro Pereira assinou pelo Getafe e o argentino Federico Fazio, que em 2014 se transferiu do Sevilha para o Tottenham, regressou ao clube andaluz por empréstimo dos spurs.

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