Genro de Bin Laden foi preso e declara-se inocente em Nova Iorque

Abu Ghaith “ocupava uma posição chave na Al Qaeda" e alguns republicanos exigem que seja transferido para Guantánamo.

Abu Ghaith num dos vídeos pós-11 de Setembro Reuters TV/Files

O genro de Osama bin Laden, Suleyman Abu Ghaith, que estava ao lado dele e do número dois da Al-Qaeda no dia a seguir aos atentados de 11 de Setembro de 2001 foi formalmente acusado nos Estados Unidos depois de ter sido anunciada a sua prisão.

“Nem a distância nem o tempo impedirão a nossa determinação de julgar os inimigos da América”, comentou Eric Holder, o attorney general (cargo com as funções de ministro da Justiça e procurador-geral do Estado), num comunicado do Departamento de Justiça citado pela Reuters e a AFP.

Segundo os termos da acusação, Abu Ghaith, esteve “envolvido na preparação e execução de um crime federal de terrorismo contra os Estados Unidos, os seus cidadãos, os seus habitantes e os seus bens”. Segundo a acusação esteve, pelo menos, entre Maio de 2001 e o final de 2002 envolvido em práticas terroristas.

Esta sexta-feira foi presente num tribunal de Nova Iorque perante o juiz Lewis Kaplan e declarou-se "inocente". O juíz ordenou que o suspeito permaneça detido até à próxima audiência fixada para 8 de Abril. Se for considerado culpado, enfrenta a pena de prisão perpétua.

Abu Ghaith, um kuwaitiano de 47 anos, é casado com Fatima, uma das filhas de Bin Laden, escreve o Washington Post, que também refere que nestes últimos anos teria vivido no Irão.

No dia 12 de Setembro de 2001, depois dos atentados que fizeram quase três mil mortos nos EUA (Nova Iorque, Washington e a bordo de um avião que se despenhou), Abu Ghaith tomou a palavra em nome da Al-Qaeda, sentado ao lado de Bin Laden e do número dois da organização Ayman Al-Zawahiri.

Foi ele que avisou os Estados Unidos de que “um grande exército se estava a formar contra eles” e apelou “à nação do islão” a conduzir uma batalha contra “os judeus, os cristãos e os americanos”, recorda o comunicado do departamento de Justiça. No vídeo que nesse dia correu mundo, Abu Ghaith, garantiu que “a tempestade não vai passar, em particular a tempestade dos aviões”, aconselhando muçulmanos, crianças e inimigos dos EUA a “não embarcarem em aviões”.

As autoridades americanas não divulgaram as condições ou o local onde Abu Ghaith foi detido, mas segundo o jornal turco Hürriyet e o Washington Post, ele terá sido detido no final de Janeiro em Ancara, depois de ter entrado na Turquia com um passaporte saudita falso. Foi depois expulso para a Jordânia na altura em que o secretário de Estado americano, John Kerry, efectuava uma visita oficial à Turquia. Em solo jordano terá sido preso por agentes da CIA e depois levado para os Estados Unidos.

Abu Ghaith “ocupava uma posição chave na Al Qaeda comparável ao ‘consigliere’ numa família da mafia ou a um ministro da propaganda num regime totalitário”, disse o director do FBI em Nova Iorque, George Venizelos,citado no comunicado do Departamento de Justiça.

Assim que a acusação foi conhecida, alguns senadores republicanos protestaram contra a transferência de Abu Ghaith para Nova Iorque e apelaram para que ele seja mantido preso em Guantánamo, Cuba, onde já está detido Khaled Sheikh Mohammed, o autoproclamado cérebro do 11 de Setembro e outros quatro acusados dos atentados

 
 
 
 
 

Comentários

Os comentários a este artigo estão fechados. Saiba porquê.

Nos Blogues