Artigos deste autor

  • A obra de Jonathan Harvey (1939-2012) é um ritual e uma meditação de vida, morte e transcendência que por certo sobrevive ao seu desaparecimento. Era sem dúvida um dos grandes compositores contemporâneos e deixa um legado deveras singular

  • Constança Capdeville nunca foi em sentido estrito uma prossecutora de John Cage, mas nela também foi da maior importância a abertura à aleatoriedade. Sobretudo tinham um e a outra um imperativo de liberdade, e também algumas afinidades

  • Há já uns tempos falávamos, o Joaquim Benite e eu, da tão pouco lembrada Luzia Maria Martins, e do singular repertório que apresentava no Teatro Estúdio de Lisboa, de contemporâneos mas também de clássicos muito pouco levados à cena – e o caso era concretamente o do autor oitocentista russo Alexander Ostrovsky. Foi a oportunidade de, tantos anos volvidos, décadas mesmo, dizer a Benite que ele havia sido, nas páginas do Diário de Lisboa, o primeiro crítico de teatro que eu me tinha habituado a ler – um dos primeiros a despertar-me a curiosidade e o interesse pelo teatro, e por saber vê-lo e sobre ele reflectir, e mesmo também um dos primeiros a suscitar-me a compreensão da importância da crítica em geral.

  • Há alguns meses atrás, a Cinemateca Portuguesa viu-se obrigada a cortar algumas das suas sessões diárias, o que motivou justificado alarde mas entretanto se resolveu. Há semanas, novo anúncio: em várias das projecções não seria possível a legendagem. Eis agora outra e grave notícia: consultando a programação para o mês de Novembro, deparamo-nos no sítio da instituição com a indicação de que “Em cumprimento do Despacho do Senhor Ministro de Estado e das Finanças, de 12 de Setembro, vimo-nos obrigados a suspender a impressão do Jornal Cinemateca deste mês”.

  • Quando a Cinemateca está coarctada muito para além da contenção orçamental, não é apenas a instituição que está em causa: há também um inquietante sinal de uma "ditadura das Finanças", cultural e socialmente desastrosa e politicamente perigosa