Candidato do Chega detido por ódio racial e tentativa de homicídio de família sueca

Autoridades dizem que o caso foi motivado “aparentemente por ódio racial”.

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Nuno Ferreira Santos

A caravana de uma família de suecos com sete filhos menores, com idades entre os 11 anos e três meses, foi atingida a tiro no passado dia 8 de Outubro, no concelho de Moura. O autor dos disparos foi candidato pelo partido Chega à freguesia de Póvoa de São Miguel nas últimas eleições autárquicas, tendo sido já detido pela polícia, segundo confirmou o PÚBLICO junto de fonte policial.

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A caravana de uma família de suecos com sete filhos menores, com idades entre os 11 anos e três meses, foi atingida a tiro no passado dia 8 de Outubro, no concelho de Moura. O autor dos disparos foi candidato pelo partido Chega à freguesia de Póvoa de São Miguel nas últimas eleições autárquicas, tendo sido já detido pela polícia, segundo confirmou o PÚBLICO junto de fonte policial.

A Polícia Judiciária (PJ) tinha anunciado neste sábado, em comunicado enviado às redacções, que o homem de 53 anos – que acabou por não ser eleito para a Assembleia de Freguesia é suspeito de ter efectuado disparos com arma de fogo contra uma família sueca “aparentemente por ódio racial”, existindo “fortes indícios” da prática do crime de homicídio qualificado na forma tentada.

Segundo a PJ, as vítimas são um casal de cidadãos suecos e sete filhos menores, com idades entre os 11 anos e três meses, cujo “veículo de passageiros onde seguiam adaptado a caravana” foi “atingido com disparos de arma de fogo”.

A agressão, adiantou a Polícia Judiciária, ocorreu na tarde do passado dia 8 de Outubro e foi “perpetrada na sequência de contenda ocorrida momentos antes, aparentemente determinada por ódio racial”. “Após a altercação com o elemento do género masculino do casal, o suspeito perseguiu a viatura onde seguiam as vítimas, executando o crime assim que se mostrou oportunidade”, referiu.

De acordo com a PJ, após a agressão, o suspeito “abandonou o local” e esforçou-se por “ocultar das autoridades objectos e veículos utilizados” na sua execução.

Na sequência de “trabalho de investigação”, sublinhou, foram “recolhidos relevantes elementos probatórios que conduziram à cabal identificação do suspeito e ditaram a emissão de mandados de detenção fora de flagrante delito”.

Ventura diz que para o Chega “a vida humana é sagrada"

O presidente do Chega condenou neste sábado a prática de “quaisquer crimes que envolvam ataques contra a vida ou integridade física” do ser humano e sublinhou que o partido não defende “o ódio racial”.

“O Chega é completamente contra quaisquer crimes que envolvam atentados contra a vida humana e ataques contra a vida ou integridade física de terceiros”, afirmou André Ventura, num vídeo divulgado pelo partido.

Segundo o líder do Chega, o partido, os seus militantes e dirigentes e o seu programa “em nada advogam o ódio racial”, pelo que “ninguém pode actuar em nome do Chega com violência”. “Nada nos move contra as minorias. O que o Chega defende é que as minorias têm que cumprir as mesmas regras da maioria em Portugal e não têm cumprido”, referiu.

No vídeo, o presidente do Chega realçou que o programa e os valores fundamentais do partido são “em torno da vida e da sua defesa e estruturalmente contra quaisquer ataques que envolvam o seu fim ou atentados à integridade física do ser humano”.

“Para nós, a vida humano é sagrada”, salientou, insistindo que “ninguém em nome do Chega”, do seu nome ou “em nome de qualquer programa político” que envolva o partido “pode realizar ou advogar violência”.

O detido já foi presente a tribunal para primeiro interrogatório judicial, tendo-lhe sido libertado e aplicado o termo de identidade e residência.