Um discurso anti-racista em Belém

Resolver um problema começa com o seu reconhecimento. O facto de o problema do racismo na sociedade portuguesa estar a ser reconhecido nas mais altas instâncias do Estado é um passo fundamental na luta para o combate à discriminação racial.

Foto
LUSA/MANUEL DE ALMEIDA

Portugal tem uma relação complicada com o racismo, tão complexa que genericamente nega a sua existência. Talvez a melhor síntese do pensamento médio nacional esteja contida na célebre frase de Rui Rio, depois das manifestações anti-racismo em Portugal: “Ainda entendo na América, onde aquilo aconteceu, agora aqui em Portugal, mas a que propósito? Ainda ficamos é racistas com tanta manifestação anti-racista. Não noto isso na sociedade portuguesa, não há racismo na sociedade portuguesa.” Na verdade, a frase de Rui Rio é um espelho nítido da nação – o líder do PSD exprimiu exactamente o que os portugueses gostam de pensar sobre si próprios, numa espécie de idealização que só a psicanálise dos povos possa explicar. Quando Rui Rio defendeu esta ideia, o deputado do Chega já tinha mandado, seis meses antes, uma colega deputada negra “para a sua terra”, propondo que fosse “devolvida ao seu país de origem”.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Portugal tem uma relação complicada com o racismo, tão complexa que genericamente nega a sua existência. Talvez a melhor síntese do pensamento médio nacional esteja contida na célebre frase de Rui Rio, depois das manifestações anti-racismo em Portugal: “Ainda entendo na América, onde aquilo aconteceu, agora aqui em Portugal, mas a que propósito? Ainda ficamos é racistas com tanta manifestação anti-racista. Não noto isso na sociedade portuguesa, não há racismo na sociedade portuguesa.” Na verdade, a frase de Rui Rio é um espelho nítido da nação – o líder do PSD exprimiu exactamente o que os portugueses gostam de pensar sobre si próprios, numa espécie de idealização que só a psicanálise dos povos possa explicar. Quando Rui Rio defendeu esta ideia, o deputado do Chega já tinha mandado, seis meses antes, uma colega deputada negra “para a sua terra”, propondo que fosse “devolvida ao seu país de origem”.