Alemanha ilumina-se com as cores do arco-íris em protesto contra a UEFA. ILGA pede posicionamento à FPF

Organismo desportivo impediu que Allianz Arena ficasse iluminado com as cores da bandeira LGBTI por ser um gesto “político”. Ana Aresta, presidente da ILGA, diz ao PÚBLICO que este afastamento tem “um efeito adverso que é perigoso” para adeptos e praticantes.

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Allianz Arena iluminado com as cores do arco-íris Reuters/Andreas Gebert

A UEFA ganhou o braço-de-ferro no Allianz Arena, mas não conseguiu levar de vencida a disputa em Munique e na Alemanha. No momento do apito inicial para o jogo entre os germânicos e a Hungria, vários estádios alemães vão iluminar-se com as cores da bandeira arco-íris, representativas da comunidade LGBTI, num protesto contra a rejeição do organismo que gere o futebol europeu. Ainda em Munique, vários edifícios da cidade vão envergar as bandeiras arco-íris, num sinal claro de protesto contra a decisão da UEFA em iluminar o estádio com estas cores.

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A UEFA ganhou o braço-de-ferro no Allianz Arena, mas não conseguiu levar de vencida a disputa em Munique e na Alemanha. No momento do apito inicial para o jogo entre os germânicos e a Hungria, vários estádios alemães vão iluminar-se com as cores da bandeira arco-íris, representativas da comunidade LGBTI, num protesto contra a rejeição do organismo que gere o futebol europeu. Ainda em Munique, vários edifícios da cidade vão envergar as bandeiras arco-íris, num sinal claro de protesto contra a decisão da UEFA em iluminar o estádio com estas cores.

“É com sentido de condenação que recebemos esta notícia, principalmente face à política de respeito que a UEFA diz ter. O que nos parece é que está a enviar a mensagem contrária, a de que o futebol pode não ser – e não é, muitas vezes – um espaço seguro para adeptos e praticantes da modalidade que pertençam à comunidade LGBTI. Parece-nos que este afastamento por parte da UEFA tem um efeito adverso que é perigoso”, reitera Ana Aresta, presidente da ILGA — Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero, em conversa com o PÚBLICO.

A polémica foi espoletada pelo facto de a UEFA não ter permitido que o Allianz Arena, palco do jogo desta quarta-feira entre Alemanha e Hungria, ficasse iluminado com as cores da bandeira arco-íris, representativas da comunidade LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgénero e Intersexo) durante o jogo. A partida escolhida para este gesto não foi, de todo, despropositada, não fosse a Hungria um dos países mais repressivos para esta comunidade, tendo inclusivamente aprovado recentemente uma lei a proibir a “disseminação de conteúdos que promovem a homossexualidade nas escolas”.

A proposta de iluminar o estádio com estas cores partiu da autarquia de Munique, presidida por Dieter Reiter. O pedido foi endereçado formalmente à organização do Euro2020, mas a UEFA rejeitou esta iniciativa, escudando-se na neutralidade que os estatutos de fundação ditam. “Pelos seus estatutos, a UEFA é uma organização política e religiosamente neutra”, reiterou o organismo em comunicado.

“Nós, em Munique, certamente não vamos ser desencorajados [pela decisão da UEFA] de enviar um sinal claro à Hungria e ao mundo”, garantiu o autarca Dieter Reiter, depois de ter classificado a decisão da UEFA como “vergonhosa”.

Numa publicação feita em Agosto de 2019, na conta oficial de Twitter da UEFA, a organização congratulava-se pelo facto de esta competição ser “um torneio para todos”, usando o símbolo do arco-íris e defendendo a inclusão da comunidade LGBT no mundo do futebol, reconhecendo que muitas pessoas não se sentem bem-vindas nos estádios pela sua orientação sexual. Depois desta decisão, muitos têm criticado a UEFA, acusando o órgão federativo de hipocrisia.

“A UEFA coloca os direitos humanos sob um chapéu político. Estamos a falar de direitos humanos, extravasam qualquer posicionamento político. A UEFA está a empurrar para o armário aquilo que são os direitos das pessoas LGBTI e não está a cumprir a política de não discriminação com que se compromete, enviando uma mensagem de desrespeito e facilitação de más práticas em torno da inclusão de adeptos e participantes da modalidade”, afirma Ana Aresta.

Qatar permite bandeiras

Já em 2022, o Qatar será o anfitrião do Campeonato do Mundo, trabalhando em contra-relógio para finalizar todos os estádios da prova. Desde que o ex-presidente da FIFA, Joseph Blatter, comunicou que o país árabe receberia a competição, várias vozes se levantaram contra a atribuição. Suspeitas de corrupção, o clima árido e as condições dos trabalhadores migrantes são as principais preocupações, às quais se juntam os receios sobre o tratamento os adeptos da comunidade LGBT que viagem até ao Qatar.

O Qatar é um dos 69 países que ainda criminalizam a homossexualidade, de acordo com os dados presentes num relatório publicado pela ILGA — Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero no final de 2020.

A FIFA deixou claro que faria esforços para criar um “torneio inclusivo”, com os responsáveis qataris a garantirem que a exibição de bandeiras com as cores do arco-íris será respeitada. “No que toca às bandeiras arco-íris, a FIFA tem as suas próprias directivas, regras e regulamentos. Sejam quais forem, vamos respeitá-las”, assegurou Nasser Al-Khater, um dos responsáveis pela organização do Mundial.