Eurogrupo vê retoma mas alerta para riscos de divergência entre países

Ministros das Finanças da zona euro e responsáveis da Comissão Europeia e do BCE defendem que é preciso ter cuidado para não retirar demasiado rápido os apoios às empresas e aos trabalhadores

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Paschal Donohoe (Eurogrupo) e Christine Lagarde (BCE) LUSA/MARIO CRUZ

Foi com declarações de satisfação e mesmo de “orgulho” que os responsáveis europeus reunidos esta sexta-feira em Lisboa na reunião do Eurogrupo confirmaram os que dizem ser os sinais cada vez mais claros de uma retoma económica na zona euro. No entanto, ao mesmo tempo, não deixaram de reconhecer a divergência a que se assiste no desempenho económico entre os diversos Estados-membros e deixaram alertas relativamente ao risco de retirar os apoios às empresas e aos trabalhadores cedo de mais.

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Foi com declarações de satisfação e mesmo de “orgulho” que os responsáveis europeus reunidos esta sexta-feira em Lisboa na reunião do Eurogrupo confirmaram os que dizem ser os sinais cada vez mais claros de uma retoma económica na zona euro. No entanto, ao mesmo tempo, não deixaram de reconhecer a divergência a que se assiste no desempenho económico entre os diversos Estados-membros e deixaram alertas relativamente ao risco de retirar os apoios às empresas e aos trabalhadores cedo de mais.

O encontro que reuniu os ministros das Finanças dos países da zona euro e ainda o comissário europeu Paolo Gentiloni, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, e o presidente do Mecanismo de Estabilidade Europeu, Klaus Regling, acontece depois de a economia da zona euro ter registado uma recessão técnica no último trimestre do ano passado e no primeiro trimestre deste ano, mas numa altura em que se assiste a uma retoma da actividade, a par com uma menor incidência da pandemia.

Paschal Donohoe, ministro irlandês das Finanças e presidente do Eurogrupo, foi um dos porta-vozes do maior optimismo. “Estamos perante uma recuperação que é muito diferente das perspectivas mais negativas que tínhamos no ano passado”, disse na conferência de imprensa a seguir ao encontro.

No entanto, logo a seguir, pediu “prudência”. “Os desafios são grandes e os riscos de se criarem cicatrizes nas nossas economias continuam a ser significativos. Temos de encontrar a combinação adequada de políticas, com um equilíbrio entre o apoio que é preciso continuar a dar às empresas e às pessoas e a sustentabilidade das finanças públicas.

Paolo Gentiloni, por seu lado, referindo o “optimismo e mesmo algum orgulho nas decisões tomadas” que se sente actualmente no Eurogrupo, alertou que “a recuperação vai continuar a ser divergente entre pessoas, entre sectores e entre Estados-membros” e defendeu por isso que é preciso “ter muito cuidado em não retirar os apoios às empresas e aos trabalhadores muito rapidamente”.

Não foram dadas mais indicações contudo sobre quando é que as regras orçamentais europeias voltarão a ser aplicadas e em que moldes.

Christine Lagarde, presidente do BCE, foi das mais prudentes na análise da situação económica. “Também acreditamos na recuperação, mas continua a ser incerta e certamente será divergente”, disse, defendendo que “a adopção coordenada de políticas continuará a ser necessária”.

“É preciso apoiar as pessoas que vão continuar a estar em 2022 numa situação mais difícil” e “ter atenção à evolução do crédito malparado e das falências”, disse, colocando de lado a possibilidade de, mesmo num cenário de subida da inflação deste ano, de o BCE retirar o programa extraordinário de compra de dívida pública lançado com a pandemia antes de Março de 2022. “Os números da inflação em 2021 são de uma natureza temporária, e em 2022 vai voltar a baixar”, defendeu.