Google e Facebook “muito próximos” de acordo na Austrália para pagar aos media

Governo australiano acompanha as negociações dos órgãos de comunicação com as tecnológicas norte-americanas.

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As tecnológicas dizem que o projecto mina o seu modelo de negócio Reuters/CHARLES PLATIAU

A Google e o Facebook estarão “muito próximos” de concluir acordos com os órgãos de comunicação australianos, de forma a compensá-los pela utilização dos seus conteúdos, anunciou hoje um responsável do Governo.

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A Google e o Facebook estarão “muito próximos” de concluir acordos com os órgãos de comunicação australianos, de forma a compensá-los pela utilização dos seus conteúdos, anunciou hoje um responsável do Governo.

O secretário do Tesouro da Austrália, Josh Frydenberg, disse ao canal público ABC que houve “grandes progressos” nas discussões com o responsável do Facebook, Mark Zuckerberg, e com o director-geral da Google, Sundar Pichai, durante o fim-de-semana.

“Creio que estamos muito próximos de acordos comerciais muito importantes”, afirmou o governante, acrescentando que estes iriam “transformar a paisagem mediática australiana”.

O Governo australiano está a trabalhar num projecto de “código de conduta vinculativo” para regular as relações entre os media tradicionais, em grandes dificuldades financeiras, e os gigantes da internet, a começar pela Google e o Facebook, que captam a maioria das receitas publicitárias.

Tanto a Google como o Facebook ameaçaram suspender os seus serviços caso Camberra não altere o plano de forçar os gigantes da Internet a pagar aos meios de comunicação pelos seus conteúdos.

O código de conduta vinculativo obriga a Google e o Facebook a negociar com cada órgão de comunicação uma remuneração para divulgar os seus conteúdos, com a possibilidade da intervenção de um mediador, na ausência de acordo.

Os maiores grupos de informação australianos, News Corp e Nine Entertainment, estimam que as compensações se elevem a centenas de milhões de dólares por ano.

Tanto a Google como o Facebook, apoiados pelo Governo dos Estados Unidos, defenderam que o projecto mina o seu modelo de negócio e o funcionamento da Internet.

A iniciativa australiana está a ser acompanhada de perto em todo o mundo, numa altura em que os meios de comunicação social estão a sofrer enormes perdas, numa economia digital em que as receitas publicitárias estão a ser cada vez mais capturadas pelo Facebook, Google e outras grandes empresas tecnológicas.

A crise dos media foi exacerbada pelo colapso económico causado pela pandemia de covid-19. Na Austrália, dezenas de jornais foram encerrados e centenas de jornalistas foram despedidos.