“O medo vai passar à medida que as pessoas forem sendo vacinadas”

Os profissionais de saúde de cinco centros hospitalares de Lisboa, Porto e Coimbra serão os primeiros a ser vacinados, possivelmente já a partir de 27 de Dezembro.

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A utilização de emergência da vacina contra a covid-19 foi aprovada pela EMA e pela Comissão Europeia Reuters/DADO RUVIC

Uma informação “muito assertiva e clara” sobre o processo de vacinação contra a covid-19 e a garantia de que a vacina é segura. Agora que a Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla original) aprovou a utilização de emergência da vacina da BioNTech-Pfizer e que a ministra da Saúde garantiu que o país está “preparado” para que a vacinação comece a partir do dia 27 de Dezembro, aqueles dois pontos são essenciais para que o processo decorra sem sobressaltos, defendem especialistas. As dúvidas que ainda possam subsistir deverão ser esclarecidas na aguardada norma sobre a administração da vacina, que a Direcção-Geral da Saúde (DGS) está a preparar.

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Uma informação “muito assertiva e clara” sobre o processo de vacinação contra a covid-19 e a garantia de que a vacina é segura. Agora que a Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla original) aprovou a utilização de emergência da vacina da BioNTech-Pfizer e que a ministra da Saúde garantiu que o país está “preparado” para que a vacinação comece a partir do dia 27 de Dezembro, aqueles dois pontos são essenciais para que o processo decorra sem sobressaltos, defendem especialistas. As dúvidas que ainda possam subsistir deverão ser esclarecidas na aguardada norma sobre a administração da vacina, que a Direcção-Geral da Saúde (DGS) está a preparar.

Os dias que antecederam a decisão desta segunda-feira foram marcados por incertezas trazidas pela nova estirpe detectada no Reino Unido, mas que não deverá ter, por enquanto, qualquer influência no plano de vacinação definido para Portugal. A ministra Marta Temido anunciou que as primeiras vacinas serão aplicadas aos profissionais de saúde que estão “directamente envolvidos na prestação de cuidados” a doentes covid, em centros hospitalares de Lisboa (Lisboa Norte e Lisboa Central), Porto (São João e Centro Hospitalar Universitário do Porto) e Coimbra. Para o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, esta primeira fase do processo não deverá ser problemática - desde que a vacina chegue, como previsto a 26 de Dezembro. O que o preocupa é o que se segue.

“Face à escassez da vacina faz sentido começar pelos que estão mais expostos, mas esperamos que o ritmo de chegada possa acelerar, porque a questão central é a partir de Janeiro, quando a vacinação deixar de ser apenas para os profissionais de saúde. É fundamental que se clarifique como o processo vai funcionar, para evitar corridas a alguns locais de pessoas com vontade de serem vacinadas. Uma comunicação muito assertiva e clara é essencial”, defende.

Numa altura em que parte considerável da população ainda demonstra algumas reservas em ser vacinada, a corrida que Ricardo Mexia teme pode parecer exagerada, mas o epidemiologista Manuel do Carmo Gomes também acredita que o medo “normal” que as pessoas têm demonstrado perante uma vacina que é novidade, irá desaparecer rapidamente. “O medo vai passar à medida que as pessoas forem sendo vacinadas”, diz.

Portugal, tal como os outros países europeus que agora terão acesso à vacina, beneficia do facto de a mesma já estar a ser aplicada noutros países há mais tempo, o que permite perceber que tipo de efeitos adversos é que ela pode ter, explica. “A vacina é exactamente como outra vacina qualquer e já estamos a conseguir medir os efeitos adversos, normalíssimos em qualquer vacina: a dor no local da injecção, algumas dores musculares, com arrepios, uma pequena percentagem de pessoas com febre. Não há razão nenhuma para acreditar que estas vacinas são menos seguras do que outras com que estamos familiarizados, e além disso são eficazes”, diz.

Todos os pormenores sobre o processo de vacinação contra a covid-19 deverão ser definidos numa norma da DGS, aguardada desde o final da semana passada. Incluindo a possibilidade de ser pedido um parecer ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) sobre o consentimento esclarecido das pessoas com demência - uma recomendação ao Governo do coordenador da task force criada para gerir o plano de vacinação contra a covid-19, Francisco Ramos.

Ao PÚBLICO, fonte do Ministério da Saúde afirmou que “as questões de consentimento livre e esclarecido” serão considerados naquela norma, e que a DGS “submeterá a respectiva proposta de audição da CNECV, caso o considere necessário e/ou adequado”. Não esclareceu, contudo, quando é que esse documento estará disponível.