Centro hospitalar de Coimbra ainda tem vagas em cuidados intensivos – mas faltam especialistas

Director do Serviço de Medicina Intensiva diz que abrir mais camas para doentes com covid-19 implica encerrar unidade para pacientes com outras patologias.

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Rui Oliveira

O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) pode abrir mais camas para doentes com covid-19 que precisem de cuidados intensivos. O centro hospitalar passou esta quarta-feira para o nível três do plano de contingência nesta área e pode ainda aumentar a capacidade até ao nível cinco, mas debate-se com um problema de falta de recursos humanos. Para abrir camas para doentes com covid-19 tem que encerrar outras destinadas a pacientes com outras patologias e que também necessitam de cuidados intensivos. “Estamos a abrir camas de uma forma faseada mas temos uma falta crónica de profissionais diferenciados”, afirma o director do Serviço de Medicina Intensiva do CHUC, Paulo Martins.

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O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) pode abrir mais camas para doentes com covid-19 que precisem de cuidados intensivos. O centro hospitalar passou esta quarta-feira para o nível três do plano de contingência nesta área e pode ainda aumentar a capacidade até ao nível cinco, mas debate-se com um problema de falta de recursos humanos. Para abrir camas para doentes com covid-19 tem que encerrar outras destinadas a pacientes com outras patologias e que também necessitam de cuidados intensivos. “Estamos a abrir camas de uma forma faseada mas temos uma falta crónica de profissionais diferenciados”, afirma o director do Serviço de Medicina Intensiva do CHUC, Paulo Martins.

Sendo referência para as outras unidades da região centro e estando já a receber doentes provenientes também dos muito pressionados hospitais do Norte, o CHUC tem estado a abrir camas de cuidados intensivos para doentes com covid-19 “em função das necessidades”. Com a activação do nível três, há mais oito camas disponíveis num espaço que antes era de cirurgia de ambulatório, mas Paulo Martins está convencido de que esta capacidade se irá esgotar rapidamente. Quando isso acontecer, passa-se ao nível seguinte, com a abertura de mais 15 camas, o que vai, porém, obrigar a encerrar “uma unidade para doentes não-covid”, avisa. E estava previsto que se pudesse passar ainda para o nível cinco, o último, com abertura de mais seis camas. “Mas não sei com que pessoas”, ressalva o médico.

“Já fomos buscar enfermeiros das salas cirúrgicas que encerraram e fomos buscar médicos não intensivistas, como anestesistas, internistas e outros que se voluntariaram. Precisava de pelo menos mais quatro intensivistas, há 17 camas para um intensivista”, elenca.

Garantindo que o CHUC "nunca” se negou “a receber doentes” de outros hospitais, Paulo Martins diz não compreender, assim, a afirmação do presidente Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva para a covid-19, João Gouveia, que considerou que ter apenas 19 camas de cuidados intensivos ocupadas é "muito pouco” para um hospital com esta capacidade. “Funcionamos em rede para a região centro e, desde o início de Novembro, para todo o país. Temos mais camas livres, mas nunca nos negamos a receber doentes. Temos quatro aparelhos de ECMO [técnica que substitui coração e pulmões nos casos em que a ventilação invasiva não funciona] e vamos resgatar doentes onde for preciso”, assegura. Além disso, no pólo do hospital geral (Covões) as cirurgias não urgentes “já foram suspensas”.

O director clínico do CHUC também admitiu esta quarta-feira à Lusa que o centro hospitalar tem ainda “uma folga razoável” nas camas de cuidados intensivos destinadas a doentes com covid-19, mas reiterou que faltam profissionais e que as cirurgias já estão a diminuir de forma “significativa”. Segundo Nuno Deveza, de acordo com o plano de contingência dos cuidados intensivos, o CHUC tem capacidade para 49 camas e, neste momento, estão abertas 19, ou seja, ainda há “capacidade de expandir” mais. “Portanto, em medicina intensiva ainda temos, em termos de espaço, de camas, uma folga razoável. Agora, em termos de recursos humanos, estamos muito apertados”, acentuou.