Manuel Monteiro aceita acordo nos Açores e insiste em aliança entre PSD e CDS

Antigo presidente do CDS não dá uma resposta fechada sobre o seu regresso à presidência do partido.

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Manuel Monteiro aponta "fragilidades" à direita para lidar com o Chega Nuno Ferreira Santos

O antigo líder do CDS, Manuel Monteiro, veio dar conforto ao acordo de incidência parlamentar entre o PSD, CDS, PPM e o Chega nos Açores mas critica a direita por não saber lidar com o partido de André Ventura. Sobre a liderança do CDS, Manuel Monteiro deseja “sucesso” a Francisco Rodrigues dos Santos mas não se exclui de uma futura disputa interna.

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O antigo líder do CDS, Manuel Monteiro, veio dar conforto ao acordo de incidência parlamentar entre o PSD, CDS, PPM e o Chega nos Açores mas critica a direita por não saber lidar com o partido de André Ventura. Sobre a liderança do CDS, Manuel Monteiro deseja “sucesso” a Francisco Rodrigues dos Santos mas não se exclui de uma futura disputa interna.

Manuel Monteiro, que voltou a ser militante do CDS em Abril deste ano, refere que a questão da disputa da liderança “não está em cima da mesa” mas não fecha a porta a cenários quando questionado sobre se admite vir a ser candidato. “Desejo que o Francisco Rodrigues dos Santos tenha sucesso, estou disponível para o ajudar, espero que leve o CDS a bom porto até porque a situação é complicadíssima. Se não tiver [sucesso] todos aqueles que tiveram responsabilidades no partido têm de conversar”, afirma ao PÚBLICO.

O antigo líder do CDS já tinha expressado a ideia em declarações à TSF, nesta terça-feira de mahã, quando falou sobre a solução política na região autónoma dos Açores. “O acordo de incidência parlamentar nos Açores, ainda que consubstancie uma coligação pela negativa não creio que vá pôr em causa os alicerces do regime. O que pode pôr em causa os alicerces do regime é a ausência de resposta dos partidos fundadores do regime para perceberem o que é que faliu”, disse.

Manuel Monteiro, que tem estado afastado da vida política activa, considera haver “fragilidades objectivas manifestas do CDS e do PSD” de “impedirem o crescimento do Chega”. E insiste que os dois partidos “deviam fazer e não fazem” um trabalho conjunto para “construir um projecto alternativo pela positiva”.

Manuel Monteiro relaciona parte da polémica em torno do acordo com o Chega com questões internas do PSD: “Muitas pessoas que são opositores do dr. Rui Rio e que também estão contra o acordo, não pelo acordo em si mas pela potencialidade que ele traz de poder levar o dr. Rui Rio a primeiro-ministro mesmo que o PSD fique em segundo lugar numas eleições legislativas que ocorram no tempo certo ou de forma antecipada”.

Manuel Monteiro saiu do CDS em 2003, em ruptura com Paulo Portas, e fundou um novo partido, a Nova Democracia, entretanto extinto. Já em Abril deste ano, sob a liderança de Francisco Rodrigues dos Santos, foi-lhe concedido um novo cartão de militante que liderou entre 1992 e 1998.