Covid-19: Sánchez marca conselho de ministros pressionado por regiões para declarar estado de emergência

Governo soma apoios suficientes para conseguir aprovar a medida, que as regiões querem para restringir actividade à noite.

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Pedro Sánchez: as pessoas têm de reduzir o contacto social, "não há outra solução" LUSA/BORJA PUIG DE LA BELLACASA HANDOUT

O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, marcou para este domingo uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, pressionado pelas regiões para declarar um estado de emergência que permitisse aplicar recolheres obrigatórios.

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O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, marcou para este domingo uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, pressionado pelas regiões para declarar um estado de emergência que permitisse aplicar recolheres obrigatórios.

Dez das 17 regiões espanholas vinham a pressionar o Governo para que se decidisse por esta medida. Sánchez, diz o diário El Mundo, preferia esperar para ter unanimidade das regiões, mas a pressão de algumas começou a ser grande, e o Governo já somou apoios suficientes para conseguir aprovar o estado de emergência.

O diário Publico destaca que praticamente todo o país está com risco alto ou muito alto, e seis comunidades estão mesmo em alerta máximo. Espanha tornou-se esta semana o primeiro país da Europa a passar um milhão de casos de infecção e Pedro Sánchez disse que este número estará muito provavelmente subestimado e o número real de infecções possa ser mais próximo de três milhões. Morreram quase 38 mil pessoas.

Outros países da Europa com cenários menos preocupantes impuseram já medidas como o recolher obrigatório: França em várias zonas, incluindo grandes cidades como Paris e Marselha, que no total juntam mais de metade da população, e em Itália as regiões do Lácio (Roma), Campânia (Nápoles) e Lombardia (Milão), por exemplo, e na Grécia em Atenas e outras zonas.

A Catalunha é uma das regiões que anunciou que irá impor um recolher obrigatório mal o Governo aprove um decreto que lhe dê cobertura legal. “A evolução é muito preocupante. Ou aumentamos os nossos esforços, ou a covid-19 aumenta”, disse o número dois do governo catalão, Pere Aragonès.

“O vírus não percebe divisões administrativas ou cores políticas diferentes”, afirmou o líder da região da Castilha e Leão, Alfonso Fernández Mañueco, em defesa de um entendimento.

Algumas regiões dizem mesmo que se o Governo central não agir, procurarão outros meios para impor restrições: “Não podemos esperar mais, temos de dar passos em frente”, disse o líder do Governo da região de Múrcia, Fernando López Miras, à TVE. “Se o governo central não fizer nada, vamos aprovar um recolher obrigatório”, declarou, sendo os tribunais regionais vistos como outro meio de conseguir impor restrições.

No entanto, o Governo deverá conseguir apoio suficiente para aprovar o estado de emergência, com o apoio de partidos regionais como o Partido Nacionalista Basco, no poder na região e cujo líder, Iñigo Urkullu, também quer impor um recolher obrigatório.

Até agora, Sánchez tem dito que cabe às regiões decidir os próximos passos e pediu aos espanhóis que “reduzam o movimento e o contacto social”, já que “não há outra solução”.

A região de Madrid que, diz o jornal espanhol Publico, é acusada por muitos de não estar a tomar as medidas correspondentes à gravidade da situação, anunciou entretanto novas restrições para vigorar depois do confinamento de duas semanas que limitou a mobilidade dos residentes da capital para fora da região, que termina este sábado.

A principal novidade, segundo o diário El País, é que fica a ser proibido o socializar em público de pessoas que não vivam juntas entre a meia-noite e as 6h. Muitos dos outros responsáveis regionais dizem que isso não chega. O Executivo de Sánchez (centro-esquerda, do PSOE-Unidas Podemos) e o governo autonómico de Madrid, do partido Popular e Cidadãos apoiado pela extrema-direita do Vox, têm-se desentendido em relação à gestão da pandemia. 

A líder do Cidadãos, Inés Arrimadas, disse, entretanto, que apoiaria Sánchez numa declaração de estado de emergência, pondo o seu partido em rota de colisão com o seu parceiro de coligação no governo autonómico de Madrid, o PP, onde a líder do executivo Isabel Ayuso se tem oposto com veemência a esta medida.

Se for aprovado, este será o terceiro estado de emergência decretado pelo Governo de Sánchez depois do primeiro de Março, que acabou renovado seis vezes, mantendo-se em vigor até Junho, e do que foi recentemente imposto na região de Madrid.