Governos serão únicos com acesso a novas ferramentas para covid-19 da Google e Apple

A nova interface de programação para facilitar a criação e funcionamento de apps de rastreio de contágio não pode pedir acesso à localização dos utilizadores, nem utilizar dados para outros fins.

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A nova API do Google e da Apple deve estar pronta em Maio Dado Ruvic/Reuters

A Apple e a Google estão a desenvolver ferramentas para garantir que as aplicações de rastreio de contágio de covid-19, criadas para sistemas iOS e Android, não gastam muita bateria e são compatíveis entre vários telemóveis. Nem todos terão acesso a esta tecnologia: a nova interface de programação está reservada a autoridades de saúde pública e governos que só podem criar uma solução por país.

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A Apple e a Google estão a desenvolver ferramentas para garantir que as aplicações de rastreio de contágio de covid-19, criadas para sistemas iOS e Android, não gastam muita bateria e são compatíveis entre vários telemóveis. Nem todos terão acesso a esta tecnologia: a nova interface de programação está reservada a autoridades de saúde pública e governos que só podem criar uma solução por país.

A informação foi divulgada esta segunda-feira numa conferência de imprensa virtual das empresas sobre os princípios do “sistema de notificações de exposição” que estão a desenvolver. Desde o começo de Abril que as gigantes de tecnologia norte-americanas — que dominam mais de 99% do mercado de sistemas operativos de telemóvel — estão a trabalhar numa interface de programação (API), comum aos seus sistemas operativos, que facilite a criação de aplicações de rastreio de contactos de covid-19 através de Bluetooth.

Para assegurar a privacidade dos utilizadores as aplicações criadas com a nova API não podem pedir acesso à localização dos telemóveis e os dados apenas podem ser usados para travar a propagação da covid-19. 

Nas últimas semanas, vários países, incluindo Portugal, têm avançado com propostas de aplicações que utilizam Bluetooth para avisar os utilizadores quando estiveram em contacto com pessoas infectadas com o novo coronavírus. Trata-se de uma tecnologia de comunicação sem fios, recomendada pela Comissão Europeia, que permite que aparelhos móveis troquem informação quando estão próximos. 

O problema é que este tipo de tecnologia apresenta vários desafios técnicos: desde a dificuldade de telemóveis com iOS (Apple) e Android (Google) detectarem aparelhos com o outro sistema operativo, aos gastos de bateria associados ao uso de Bluetooth, à proliferação de várias aplicações diferentes. Especialistas defendem que para uma aplicação de rastreio de contágio ser eficaz esta tem de ser instalada por 60% dos utilizadores de telemóveis. Se existirem várias versões ou opções, torna-se (ainda) mais difícil atingir esse número.

A nova interface de programação da Google e da Apple, que deve estar disponível em meados de Maio, pretende resolver estes problemas. Os países interessados em utilizá-la devem, no entanto, respeitar as orientações divulgadas pelas empresas.

Embora só deva existir uma aplicação deste tipo por país, o Google e a Apple notam que estão dispostos a apoiar “da melhor forma que conseguirem" países que precisam de várias versões de uma mesma aplicação para diferentes Estados ou regiões.

Em Março começou a ser desenvolvida em Portugal uma aplicação de rastreio. Os detalhes foram conhecidos no final de Abril: será de uso voluntário, não pede quaisquer dados pessoais, não regista coordenadas dos cidadãos, e não envia automaticamente dados para um servidor central.