Coronavírus: Marta Soares denuncia falta de planeamento e pede linha telefónica para bombeiros

Presidente da Liga de Bombeiros aponta o dedo à Secretaria de Estado da Administração Interna e ao INEM por não terem acolhido as suas sugestões de dar meios e formação específica aos bombeiros para lidar com a situação de pandemia.

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Jaime Marta Soares garante que não há nenhum bombeiro infectado com coronavírus LUSA/SPORTING CP

O presidente da Liga de Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, aponta falhas ao sistema e à falta de planeamento, critica a forma como como está a ser feita a gestão do coronavírus e dispara contra aqueles que não lhe deram ouvidos quando há dois meses pediu formação específica para os bombeiros perante o cenário de pandemia que se desenhava há já alguns dias e que a Organização Mundial de Saúde veio a confirmar.

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O presidente da Liga de Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, aponta falhas ao sistema e à falta de planeamento, critica a forma como como está a ser feita a gestão do coronavírus e dispara contra aqueles que não lhe deram ouvidos quando há dois meses pediu formação específica para os bombeiros perante o cenário de pandemia que se desenhava há já alguns dias e que a Organização Mundial de Saúde veio a confirmar.

“Há mais de dois meses que andamos a dizer que havia necessidade de dar formação específica aos bombeiros por causa do surto de coronavírus, assim como também perguntámos de que meios é que podíamos dispor porque os equipamentos que temos já não servem para nada, mas ninguém nos ouviu”, revela Jaime Marta Soares, lamentando a falta de resposta das autoridades de saúde em relação aos apelos da Liga de Bombeiros.

“Se a qualquer momento entrarmos numa situação de ruptura devido à pandemia, os bombeiros não dispõem de equipamentos à dimensão dessa situação de emergência”, avisa o ex-autarca da Câmara de Vila Nova de Poiares.

O presidente da Liga de Bombeiros Portugueses conta, por outro lado, que os bombeiros não conseguem aceder nem à Linha de Saúde 24, nem ao CODU- Centro de Orientação de Doentes Urgentes para poder dar respostas às pessoas que os contactam e nada podemos fazer porque o protocolo é muito claro nesta matéria. “As orientações têm de ser dadas pela Linha de Saúde 24 ou pelo CODU. Acontece que nem nós próprios conseguimos entrar em contacto com as instituições e fica difícil gerir a situação”, afirma o responsável.

Em declarações ao PÚBLICO, Marta Soares revela que apelou a “todas as entidades com responsabilidades, nomeadamente ao INEM e à secretaria de Estado da Administração Interna para a necessidade de os bombeiros terem formação específica para lidar com o surto de coronavírus e quais os meios com que podiam contar, mas ninguém nos ouviu”. “A formação que pedíamos começou no sábado e o modelo encontrado não me parece ser o melhor”, insurge-se.

Sem mãos a medir para tantas solicitações, Marta Soares reclama que seja disponibilizada uma linha de telefone à Liga de Bombeiros para esta situação específica. “Precisamos de ter uma linha própria. É incomportável não ter uma linha dedicada só aos bombeiros, ao socorro em si”, critica, ao mesmo tempo que aponta o dedo ao Governo. “Penso que durante algum período houve falta de planeamento. [O Governo] Começou tarde e demorou algum tempo a definir uma linha estratégica, foi um pouco na base: espero para ver o que vem aí ou isto só acontece aos outros”.

Preocupado com a dimensão da pandemia, o responsável revela que não há nenhum bombeiro infectado pelo coronavírus, mas há “duas a três dezenas em quarentena, apenas por precaução”, nada que comprometa os piquetes de segurança assegurados pelos bombeiros. Segundo disse, “em média, há 60 bombeiros em cada quartel de prevenção o que dá uma média de seis mil a nível nacional”. A estes seis mil juntam-se outros tantos que asseguram os turnos. Todavia, este número pode subir um pouco mais se Portugal chegar a uma “situação emergência”.