Médicos de Setúbal denunciam horas extra além dos limites máximos

Também há também falta de recursos no hospital de Santa Maria, “o que justifica a visita urgente” do bastonário da Ordem dos Médicos nesta quarta-feira.

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Hospitais de São Bernardo e Santa Maria denunciam falta de recursos PAULO PIMENTA/ARQUIVO

Os funcionários de saúde do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) acusam o hospital de impor trabalho extraordinário nos serviços de urgência além dos limites máximos, uma situação que já se arrasta desde 2017, denunciou nesta terça-feira o Sindicato dos Médicos da Zona Sul. Esta imposição surge “na tentativa de colmatar falhas na escala do serviço de urgência”, lê-se no comunicado enviado às redacções.

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Os funcionários de saúde do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) acusam o hospital de impor trabalho extraordinário nos serviços de urgência além dos limites máximos, uma situação que já se arrasta desde 2017, denunciou nesta terça-feira o Sindicato dos Médicos da Zona Sul. Esta imposição surge “na tentativa de colmatar falhas na escala do serviço de urgência”, lê-se no comunicado enviado às redacções.

Um grupo de 12 médicos do serviço de cirurgia geral do CHS denunciou há duas semanas “a imposição do cumprimento de horas extraordinárias além do legalmente exigido” nas urgências. Sendo a denúncia, “a equipa é deficitária” em alguns dias e não se cumpre o parecer da Ordem dos Médicos relativo à constituição de equipas de cirurgia geral nos serviços de urgência. Os médicos do CHS dizem que o número excessivo de horas que trabalham nos serviços de urgência resulta em “condições muito deficitárias das condições desse serviço, seja para os profissionais de saúde seja para os utentes”.

O PÚBLICO tentou contactar o Centro Hospitalar de Setúbal, que remeteu esclarecimentos para um comunicado que deverá ser enviado ainda esta terça-feira. 

A administração do centro hospitalar, que junta o Hospital São Bernardo e o Hospital Ortopédico Sant’Iago do Outão, reuniu-se com os médicos, tendo ficado acordado entre as duas partes que os médicos continuariam a fazer horas extra até ao final de Outubro devido à “dificuldade de recrutar recursos humanos em tão pouco tempo”. Só que, no final do mês, “foram confrontados com uma inesperada deliberação do Conselho de Administração no sentido de impor, unilateralmente, o cumprimento de horas extraordinárias” no mês de Novembro.

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul diz repudiar as práticas de gestão da administração do CHS “quer no que concerne à prestação de trabalho extraordinário médico, quer no que se reporta à deficitária constituição das equipas de Cirurgia Geral nos Serviços de Urgência Médico-Cirúrgicas e, ainda, pela má-fé demonstrada para com estes médicos, persuadindo-os a prestar transitoriamente trabalho extraordinário para além dos limites legalmente consagrados, sem intenção de resolução dos problemas de base”.

Santa Maria recebe “visita urgente” do bastonário

Depois de um grupo de médicos e chefes de equipa de urgência do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHULN) ter denunciado a dificuldade em assegurar a urgência geral por falta de recursos, o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, visitará na quarta-feira o Hospital de Santa Maria, em Lisboa. “Esta situação, que potencialmente pode colocar em causa a segurança clínica e a qualidade dos serviços de saúde proporcionados aos cidadãos, é muito preocupante e justifica a visita urgente da Ordem dos Médicos”, lê-se em comunicado. A visita acontecerá entre as 11h e as 12h30.

“A situação da CHULN tem vindo a degradar-se nos últimos meses e, tendo tido conhecimento de que não estarão a ser cumpridas as equipas-tipo definidas pela Ordem dos Médicos, é o momento de ouvir os profissionais e o director clínico e apelar a uma solução urgente por parte da administração”, diz o bastonário Miguel Guimarães no comunicado.

O bastonário refere ainda que enviou uma carta a todos os directores clínicos dos sectores público e privado para que se cumpram as normas em vigor no que diz respeito à constituição de equipas-tipo, à garantir das boas práticas médicas, “da segurança clínica e da prevenção de eventos adversos graves”.

Miguel Guimarães acrescenta ainda que “esta situação está a acontecer de forma reiterada e cada vez mais frequente em várias unidades de saúde do país”. Ainda assim, garante que os hospitais de Santa Maria e Pulido Valente continuam a funcionar com qualidade e que os trabalhadores “tudo farão para prestar os melhores cuidados possíveis para minimizar os problemas a que são alheios mas que os afectam fortemente, deixando-os desmotivados e exaustos”.