Wally Bourdet, musa de Clergue e espírito livre de Arles

Antes dos primeiros Encontros de Fotografia de Arles, já Wally Bourdet posava para Lucien Clergue, um dos fundadores do festival. A sua voz é procurada sempre que se quer medir o pulsar dos Encontros na rua.

Foto
Wally é um dos principais rostos do Hotel Nord-Pinus, um viveiro de pessoas ligadas à fotografia por altura do festival Lorenzo Castore

Quando se anda pelas ruas de Arles com Wally Bourdet, o difícil é fazer o trajecto durante mais de um minuto sem uma paragem, um bate-boca, uma gargalhada sonora, beijos em triplicado, adeuses à distância, pequenas conversas sobre tudo. Wally — filha do coiffeur e fotógrafo de Arles “Bobby” Georges Bourdet, figura emblemática da vila, defensor do seu legado histórico e parte do dinamismo cultural que viria a resultar no lançamento dos Encontros de Fotografia — tem o magnetismo dos livres-pensadores e o carisma dos simples esclarecidos. Desde muito cedo habituada à presença de câmaras fotográficas em casa, começou a posar para Lucien Clergue — fotógrafo, intelectual e um dos fundadores dos Encontros — em 1967, quando tinha 17 anos. Clergue, que vinha de um estado depressivo que se materializava em séries de imagens de ruínas de Arles, bombardeada durante a II Guerra, e de todo o tipo de animais mortos nas praias camarguesas (“Eu era sinistro”), decidiu fazer nus, em linha com a sua paixão pela poesia e pela cultura clássica. Foi, nas palavras do próprio, uma decisão “libertadora”. Quando começou a recrutar modelos, Wally apareceu nas escolhas. Era sua vizinha e ele conhecia a família, condição para que a confiança se estabelecesse.

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Quando se anda pelas ruas de Arles com Wally Bourdet, o difícil é fazer o trajecto durante mais de um minuto sem uma paragem, um bate-boca, uma gargalhada sonora, beijos em triplicado, adeuses à distância, pequenas conversas sobre tudo. Wally — filha do coiffeur e fotógrafo de Arles “Bobby” Georges Bourdet, figura emblemática da vila, defensor do seu legado histórico e parte do dinamismo cultural que viria a resultar no lançamento dos Encontros de Fotografia — tem o magnetismo dos livres-pensadores e o carisma dos simples esclarecidos. Desde muito cedo habituada à presença de câmaras fotográficas em casa, começou a posar para Lucien Clergue — fotógrafo, intelectual e um dos fundadores dos Encontros — em 1967, quando tinha 17 anos. Clergue, que vinha de um estado depressivo que se materializava em séries de imagens de ruínas de Arles, bombardeada durante a II Guerra, e de todo o tipo de animais mortos nas praias camarguesas (“Eu era sinistro”), decidiu fazer nus, em linha com a sua paixão pela poesia e pela cultura clássica. Foi, nas palavras do próprio, uma decisão “libertadora”. Quando começou a recrutar modelos, Wally apareceu nas escolhas. Era sua vizinha e ele conhecia a família, condição para que a confiança se estabelecesse.