Viver sem drogas

2003 foi um bom ano. O exército americano invadiu o Iraque, Bin Laden continuava a monte, teve início o Processo Casa Pia, os amigos estavam próximos, a erva era boa. Apareceram por aí umas bolotas de haxixe de aspecto esverdeado, resinosas, de perfumes florais e tão macias que pareciam plasticina. Nem era preciso queimá-las: formava-se uma pétala apertando-a entre os dedos e enrolava-se até esculpir um palito, que era deposto na mortalha numa cama de tabaco. Dizia-se que vinham do Irão, ou do Afeganistão. Quem as vendia, a preço justo, eram uns betos universitários. Na véspera do Euro2004, foram todos de cana numa rusga da judiciária, e quando foram soltos vinham tão assustados que nunca mais foi possível contactá-los. A droga boa desapareceu de Lisboa e eu perdi o hábito de fumá-la.

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2003 foi um bom ano. O exército americano invadiu o Iraque, Bin Laden continuava a monte, teve início o Processo Casa Pia, os amigos estavam próximos, a erva era boa. Apareceram por aí umas bolotas de haxixe de aspecto esverdeado, resinosas, de perfumes florais e tão macias que pareciam plasticina. Nem era preciso queimá-las: formava-se uma pétala apertando-a entre os dedos e enrolava-se até esculpir um palito, que era deposto na mortalha numa cama de tabaco. Dizia-se que vinham do Irão, ou do Afeganistão. Quem as vendia, a preço justo, eram uns betos universitários. Na véspera do Euro2004, foram todos de cana numa rusga da judiciária, e quando foram soltos vinham tão assustados que nunca mais foi possível contactá-los. A droga boa desapareceu de Lisboa e eu perdi o hábito de fumá-la.