Supercomputador português inaugurado em Riba de Ave

O supercomputador “Bob” foi instalado pelo Centro de Computação Avançada do Minho.

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Um segundo supercomputador começará a ser instalado até ao final de 2020 Reuters/ALESSANDRO BIANCHI

O primeiro supercomputador em Portugal, que permitirá aumentar a capacidade nacional de computação, é inaugurado nesta sexta-feira em Riba de Ave, onde funciona o novo Centro de Computação Avançada do Minho.

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O primeiro supercomputador em Portugal, que permitirá aumentar a capacidade nacional de computação, é inaugurado nesta sexta-feira em Riba de Ave, onde funciona o novo Centro de Computação Avançada do Minho.

O supercomputador “Bob”, cujo funcionamento chegou a ser anunciado pelo ministro da Ciência para o primeiro semestre de 2018, possibilitará aumentar “em dez vezes a capacidade nacional de computação” e incentivar a cooperação científica e empresarial na ciência de dados e inteligência artificial, de acordo com uma nota informativa da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

O Centro de Computação Avançada do Minho, que é também inaugurado, pertence à Universidade do Minho, que, em conjunto com a FCT, instalou e operacionaliza o supercomputador.

A nova unidade de computação avançada está fisicamente instalada no centro de dados da REN - Redes Energéticas Nacionais, pretendendo-se que o supercomputador funcione maioritariamente com fontes de energia renováveleólica, fotovoltaica e hidroeléctrica).

Parte da infra-estrutura computacional foi cedida à FCT pela universidade norte-americana do Texas, ao abrigo de uma parceria que se alargou ao Centro Nacional de Supercomputação de Barcelona, que tem o supercomputador MareNostrum, um dos mais potentes da Europa e um dos com maior capacidade do mundo.

As aplicações do supercomputador português, que faz parte da Rede Ibérica de Computação Avançada, estendem-se à bioinformática, ao clima, à segurança marítima, às pescas, à mobilidade nas cidades ou à gestão de risco de incêndio nas florestas, segundo um comunicado anterior do Ministério da Ciência.

O equipamento servirá, inclusive, para o processamento de dados do Centro de Investigação Internacional sobre o Atlântico nos Açores (AIR Centre), uma rede científica de vários países, com sede na ilha Terceira, para o estudo do clima, espaço e oceanos.

Um segundo supercomputador, o “Deucalion”, capaz de executar dez mil biliões de operações por segundo, começará a ser instalado, até ao final de 2020, também no Centro de Computação Avançada do Minho, no âmbito da EuroHPC – Empresa Comum Europeia para a Computação de Alto Desempenho, adianta a mesma nota da FCT.

A máquina, igualmente integrada na Rede Ibérica de Computação Avançada, apoiará o desenvolvimento de aplicações importantes em domínios como a medicina personalizada, a concepção de medicamentos e materiais, a bioengenharia, a previsão meteorológica e as alterações climáticas.

O “Deucalion”, que resulta de uma candidatura conjunta de Portugal e Espanha, que acolherá em Barcelona um outro supercomputador, de maior capacidade, representa um aumento de cerca de 40 vezes sobre a capacidade de cálculo do supercomputador “Bob”, de acordo com a Comissão Europeia.

A computação de alto desempenho é um ramo da informática que se ocupa de tarefas científicas e de engenharia, de modelação e simulação tão exigentes em termos de computação que os cálculos não podem ser realizados por computadores de uso geral.