Loulé cria rede de instalação de desfibrilhadores da praia à montanha

No concelho ocorrem, em média, 150 paragens cardíacas por ano. Nestes casos, decorridos oito minutos após o acidente, a morte é quase certa.

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RUI GAUDENCIO / PUBLICO

Da praia até à serra do Caldeirão (Ameixial), no concelho de Loulé, vai ser criada uma rede com cerca de uma centena de aparelhos de desfibrilhação para reduzir o números de mortes por paragem cardíaca. O projecto experimental foi apresentado nesta segunda-feira no centro autárquico de Quarteira a assinalar o dia da cidade. O presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, Paulo Morgado, destacou que a iniciativa “não se limita a servir os locais de maior concentração de pessoas [praias], estende-se também às aldeias do interior”, onde são maiores as dificuldades nos acessos aos cuidados de saúde. A entrada em funcionamento desta “rede” deverá ocorrer antes do início do Verão. 

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Da praia até à serra do Caldeirão (Ameixial), no concelho de Loulé, vai ser criada uma rede com cerca de uma centena de aparelhos de desfibrilhação para reduzir o números de mortes por paragem cardíaca. O projecto experimental foi apresentado nesta segunda-feira no centro autárquico de Quarteira a assinalar o dia da cidade. O presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, Paulo Morgado, destacou que a iniciativa “não se limita a servir os locais de maior concentração de pessoas [praias], estende-se também às aldeias do interior”, onde são maiores as dificuldades nos acessos aos cuidados de saúde. A entrada em funcionamento desta “rede” deverá ocorrer antes do início do Verão. 

O cardiologista Nuno Marques revelou que neste concelho, com cerca de 70 mil habitantes, ocorrem uma média de 150 paragens cardíacas por ano. “Se conseguir-se salvar uma vida já valeu apena”, enfatizou. Oito minutos depois do acidente cardíaco, explicou, “a hipótese de salvamento é de aproximadamente zero”. Porém, uma ambulância do INEM para chegar do Ameixial ao hospital de Faro demora cerca de duas horas. O número de aparelhos a distribuir por todo o território deverá aproximar-se de uma centena, a distribuir por duas fases. O custo do investimento é suportado pelo município, tendo por base uma parceria estabelecida entre o Algarve Biomedical Center – ABC  e a Associação de Municípios do Algarve (Amal), em 2017, para fazer do Algarve uma região “mais segura” para residentes e turistas

Nuno Marques é o presidente do ABC, consórcio que integra o Centro Hospitalar Universitário do Algarve e o Centro de Investigação e Formação Biomédica do Algarve. Esta estrutura vai instalar-se em Loulé e Vilamoura para desenvolver um conjunto de actividades na área da investigação médica e “turismo activo”, envolvendo autarquia  e  investidores públicos e privados ligados à industria farmacêutica. No final do mês, quando se comemora o dia da cidade de Loulé, adiantou Paulo Morgado, serão assinados protocolos com o Instituto Ricardo Jorge, Infarmed, e outras entidades públicas, com o objectivo de se “criar na região um centro de investigação em diversas áreas da saúde”. As doenças relacionadas com os insectos, particularmente as que dizem respeito aos mosquitos, afirmou, vão ser objecto de uma atenção especial, tendo em conta as alterações climáticas e o histórico do Algarve que já teve, no passado, doentes com malária. 

As primeiras entidades a receber preparação técnica para manusear os equipamentos vão ser as forças de segurança e agentes de protecção, depois as acções vão ser alargadas a autarcas, e agentes ligados às comunidades locais. “Pretende-se ter uma resposta rápida”, sublinhou, Paulo Morgado, enfatizando: “Quando ocorre uma paragem cardíaca, cada minuto que passa reduz em 10% a hipótese de sobrevivência”. A forma de trabalhar com o desfibrilhador, disse, “é à prova de estupidez, porque o próprio aparelho se for necessário choque, ele próprio dá o choque”. Por conseguinte, a intervenção humana é mínima. Na fase seguinte, caberá aos técnicos do INEM decidirem o tratamento mais adequado para o doente.