CTG disposta a deixar cair a OPA na assembleia da EDP

Empresa chinesa não vai abdicar do fim do limite à contagem dos votos na EDP, que será votado na próxima quarta-feira. Se chumbar, a operação cai.

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António Mexia, presidente da EDP, e Lei Mingshan, líder da China Three Gorges, em Dezembro de 2018 rui gaudêncio

A China Three Gorges (CTG) está disposta a deixar cair a Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a EDP já na próxima quarta-feira. A empresa chinesa enviou uma carta ao vice-presidente da mesa da assembleia geral da eléctrica, Rui Medeiros, em que afirma que não irá renunciar ao fim do limite à contagem dos votos na EDP, uma das condições que tinha definido como de lançamento e de sucesso da operação, anunciada há quase um ano.

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A China Three Gorges (CTG) está disposta a deixar cair a Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a EDP já na próxima quarta-feira. A empresa chinesa enviou uma carta ao vice-presidente da mesa da assembleia geral da eléctrica, Rui Medeiros, em que afirma que não irá renunciar ao fim do limite à contagem dos votos na EDP, uma das condições que tinha definido como de lançamento e de sucesso da operação, anunciada há quase um ano.

Assim, caso esta desblindagem dos estatutos seja chumbada na reunião de accionistas do próximo dia 24 de Abril, a OPA chinesa ficará automaticamente pelo caminho.

A votação da desblindagem dos estatutos da EDP – que neste momento impedem qualquer accionista de votar com mais de 25% do capital da empresa – foi proposta pela Elliott Management. A gestora, que tem cerca de 2% do capital da EDP, está contra a OPA da CTG, que considera ter um preço demasiado baixo, e já disse que vai chumbar o fim dos limites de voto (tendo aconselhado outros accionistas a fazerem o mesmo).

A própria CMVM já tinha vindo clarificar há uns dias que a “eventual rejeição pelos accionistas” da proposta da Elliott implicaria a “não verificação de uma das condições para o lançamento e registo da oferta sobre a EDP” e sobre a EDP Renováveis e que, nessa medida, conduziria à “extinção” das operações.

Por outro lado, a CMVM adiantou também que, caso o fim do limite à contagem de votos seja aprovado, dará 45 dias à CTG para que se verifiquem as restantes condições de que depende o registo e lançamento da oferta, “nomeadamente a obtenção de todas as aprovações ou autorizações administrativas exigíveis, bem como a aprovação da restante alteração estatutária relevante”.

Nesta lista estão, por exemplo, as notificações a Bruxelas e às autoridades norte-americanas, que já manifestaram a sua oposição ao negócio. Na carta enviada a Rui Medeiros – a quem cabe conduzir os trabalhos na reunião de accionistas em que está prevista, inclusive, a eleição do novo presidente da mesa da AG, Luís Palha da Silva – a CTG garantiu que continua a “trabalhar activamente para a conclusão bem-sucedida” dos vários pedidos de autorização.

A empresa recorda que identificou “requisitos de registo em 14 jurisdições diferentes, envolvendo mais de 25 reguladores e regimes jurídicos diferentes” e frisa, sem detalhar, que “já obteve resultados positivos num grande número de aprovações regulatórias”.

“Apesar de um ambiente geopolítico e macroeconómico mais desafiador, continuamos a trabalhar activamente para a conclusão bem-sucedida dos demais processos”, lê-se na carta.

A empresa diz que “respeitará as decisões adoptadas pelas autoridades e pela assembleia geral” da EDP e assegura que “permanecerá como investidora estratégica de longo prazo da EDP”. A CTG também “continuará a contribuir como parceira estratégica para o desenvolvimento sustentável da sociedade [a EDP], independentemente do resultado final da oferta”, diz a carta assinada por Wu Shengliang, presidente da CTG Europe.