Jogo

Albânia proíbe casas de apostas em 2019

Suicídios, divórcios e violência doméstica são comuns entre os albaneses depois de gastarem milhões de euros em jogos da sorte.
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PIXABAY

A Albânia vai fechar, a partir de 1 de Janeiro, as suas 4300 casas de apostas. Num dos países mais pobres da Europa, o jogo é fonte de lucro para o crime organizado, ao mesmo tempo que provoca vários problemas sociais.

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Neste país dos Balcãs com 2,8 milhões de habitantes, há uma casa de apostas para cada 670 pessoas, uma percentagem “muito elevada” e muito superior à dos países vizinhos, disse à AFP o economista Klodian Tomorri.

A lei aprovada em Outubro pelo Parlamento proíbe também os jogos online e impõe restrições aos casinos, sendo que alguns funcionam perto de escolas. Apenas os localizados em hotéis de cinco estrelas, em locais turísticos e com licença, poderão continuar a operar.

Em declarações à AFP, Arta, de 31 anos, mãe de dois filhos, saúda a decisão, embora diga que chega "demasiado tarde" para salvar a família da tragédia: em Julho, o marido atirou-se de um prédio depois de perder uma aposta no jogo de futebol França-Bélgica, a contar para o Mundial Rússia 2018.

Segundo um estudo da Universidade de Tirana, um em cada quatro jogadores já tentou suicidar-se pelo menos uma vez e 70% têm problemas psicológicos.

"Há uma estreita ligação entre o jogo e a violência doméstica, que conduz a crises muito graves em muitas famílias", disse à AFP Iris Luarasi, do Conselho Nacional de Assistência às Vítimas de Violência. A advogada Vjollca Pustina estima que 70% dos divórcios estão relacionados com problemas de jogo.

O Governo albanês anunciou que serão criados centros para ajudar os antigos jogadores, mas a sua abertura a 1 de Janeiro parece incerta.

"O vício do jogo é uma doença que deve ser tratada logo que as agências de apostas fechem. De momento, não existem centros de reabilitação", disse à AFP a professora de ciências sociais Menada Petro, da Universidade de Durres.

Segundo dados oficiais, os albaneses gastam entre 140 e 150 milhões de euros por ano em apostas desportivas. Mas, tendo em conta as apostas ilegais, este valor sobe para 700 milhões de euros, estima o Governo.

Para o primeiro-ministro Edi Rama, o objectivo da nova lei é impedir que o crime organizado obtenha lucros através desta indústria, que também utiliza para o branqueamento de capitais.

Contudo, "a guerra [contra o crime organizado] vai continuar porque os criminosos estão a alterar a sua estratégia", disse, recentemente, numa entrevista transmitida na televisão.