Educação

António Costa: "A universidade não é a única saída possível"

Na inauguração do Conservatório de Música de Loulé, o primeiro-ministro deseja que os ensinos superiores técnico e universitário sejam "igualmente valorizados"
Foto
António Costa afirma que o papel da escola "não é só ensinar a ler" mas sim criar cidadãos livres LUSA/FILIPE FARINHA

O primeiro-ministro considerou esta quarta-feira que a universidade não é a "única saída possível" para quem quer aprender uma profissão e defendeu a diversificação da oferta educativa, nomeadamente através do ensino artístico integrado e profissional.

Atingiu o seu limite de artigos gratuitos

"A universidade não é a única saída possível, nem o único percurso necessário para quem quer prosseguir a sua vida e, por isso, a diversificação daquilo que é a oferta educativa é da maior importância", defendeu António Costa, numa intervenção na inauguração do Conservatório de Música de Loulé.

Aproveitando o facto de estar no primeiro conservatório público de música a sul de Lisboa, o líder do executivo realçou a importância dos ensinos artístico integrado e profissional, observando que o Governo tem "paulatinamente procurado criar as condições" para que estes "sejam igualmente valorizados nos processos educativos".

A função da escola

António Costa contou que, em 1971, participou na primeira experiência de ensino artístico integrado que houve em Portugal. Costa não se tornou "músico, bailarino ou actor" por isso, mas a experiência permitiu-lhe aprender a "saber sentir", algo "decisivo".

Para o primeiro-ministro, que falava perante uma plateia composta por autarcas, dirigentes locais e representantes das forças de segurança, entre outros, o papel da escola "não é só ensinar a ler, a fazer contas, onde nascem os rios ou como se formam os fenómenos geológicos": a sua função fundamental é criar cidadãos livres.

António Costa sublinhou ainda, aludindo a dados da Comissão Europeia, que a maioria dos alunos que frequentam o sistema de ensino vão exercer profissões "que não foram sequer ainda inventadas", pelo que a escola do futuro deve dar condições para que se continue a aprender durante toda a vida. "Uma escola que forme simplesmente para as profissões que já foram criadas no passado é uma escola que não cumpre a sua função para o futuro", frisou.

Na cerimónia esteve também presente o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, que sublinhou que a música e o ensino artístico são "absolutamente essenciais" no panorama educativo.

Inaugurado esta quarta-feira, o Conservatório de Música de Loulé é o primeiro conservatório público de música a sul de Lisboa, com capacidade para 400 alunos, nos regimes de ensino articulado e supletivo.

Instalado no Solar da Música, edifício do século XVIII agora reabilitado, o Conservatório resulta da cooperação entre o Ministério da Educação e o município de Loulé, que investiu 2,8 milhões de euros na sua criação.

O Ministério da Educação é responsável pela colocação de professores e pela articulação entre as escolas da região e o Conservatório de Música de Loulé.