Opinião

Uma família a rir

A família é a fonte de muitos males e de muitas solidões mas quando está em grande enche o coração.

Riam-se tanto que levaram mais de duas horas a jantar. Riam com boa educação, sem fazer barulho. Era uma família inglesa: os pais com quarenta e tal anos, as filhas com vinte e nada.

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Portavam-se como os bons amigos que agora eram, amigos que se conhecem muito bem. É um tempo de festa quando as filhas se tornam plenamente adultas com personalidades próprias e sentidos de humor diferentes.

As incompreensões da adolescência, outrora tão discutidas e gritadas, são agora despertadores de grandes risadas à custa de cada um. Uma pessoa torna-se adulta quando ganha o gosto de se rir de si própria e estas três mulheres celebravam essa infinita liberdade com a cumplicidade absoluta do marido/pai.

Em férias aproveitavam para estar todos juntos a jantar ao ar livre, a beber vinho e a comer carapaus grelhados. Via-se e ouvia-se que adoravam a companhia uns dos outros. Não tiravam os olhos uns dos outros, permitindo que as observasse sem ser descoberto.

A família é a fonte de muitos males e de muitas solidões mas quando está em grande enche o coração. Aquele riso é fácil porque é íntimo. Tem a enorme vantagem do conhecimento mútuo. Estão fartos de saber as fraquezas e manias uns dos outros e, por isso, quando fazem piadas, saem certeiras e produzem chorrilhos de gargalhadas.

Eu estava a jantar sozinho e fiquei cheio de saudades da Maria João e das minhas filhas Sara e Tristana. Juntos também somos três mulheres e um homem, embora os netos puxem para outras conversas também boas, mas diferentes.