Bragança

Zona de estacionamento substitui eira em Rio de Onor

Um parque de estacionamento tomou o lugar de um eira, abrangida pelo Parque Natural de Montesinho, em Rio de Onor e divide as opiniões na aldeia.
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A aldeia de Rio de Onor, em Bragança, entrou nos holofotes públicos quando foi eleita como uma das 7 Maravilhas de Portugal na categoria Aldeias, em 2017, acompanhada pelo símbolo do comunitarismo. Um desses símbolos são as eiras, espaços tradicionais e conhecidos na região que serviam para tratar os cereais ou para o depósito de palha. Em Julho deste ano, uma das suas eiras deu lugar a um parque de estacionamento, o que acabou por dividir a aldeia.

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Na origem da destruição da eira, para a criação do parque de estacionamento, esteve a necessidade de ultimar as acessibilidades à aldeia aquando da segunda edição do Festival D’Onor, realizado nos dias 21 e 22 de Julho de 2018. Na primeira edição do festival transmontano houve alguns constrangimentos no trânsito, o que fez com que a organização optasse pela construção de uma zona de estacionamento.

A aldeia insere-se na área protegida do Parque Natural de Montesinho, sendo as intervenções nesta zona sujeitas a várias regras. Contactada pelo PÚBLICO, a Câmara Municipal de Bragança ainda não deu qualquer tipo de resposta relativa à intervenção na eira. Já Armando Loureiro, director do Departamento de Conservação da Natureza e Florestas do Norte (ICNF) que inclui o Parque Natural de Montesinho como área protegida, apontou que a referida eira se encontra em solo urbano pelo que "o Plano de Ordenamento do Parque Natural do Montesinho não regula áreas urbanas incluídas neste Parque. A responsabilidade da regimentação de alterações de uso em áreas urbanas é da Câmara Municipal." 

Maria Prieto, habitante e comerciante de Rio de Onor, assinalou que no início se notava algum tipo de descontentamento na população devido a não estarem habituados àquela mudança. “Mas agora tem sido muito bom até mesmo para o turismo, que melhorou”, assinala e acrescenta que já se tratava de “um espaço sem utilidade”.

No entanto, há quem não aprove a destruição de “uma das últimas memórias do tão aclamado ‘comunitarismo’, para dar lugar a um equipamento que será utilizado uma ou duas vezes no ano, com a hipotética lotação esgotada durante duas a três horas”, explicou fonte anónima. A mesma fonte descreveu ainda o parque de estacionamento como um “atentado ao património cultural e imaterial” e um “crime”.

Texto editado por Ana Fernandes

Texto actualizado às 12h06 do dia 11 de Setembro de 2018, com inclusão do depoimento do director do Departamento de Conservação da Natureza e Florestas do Norte (ICNF)?, Armando Loureiro.