Saúde

Hospital de Gaia a funcionar normalmente após demissões

Garantia é dada pela Administração Regional de Saúde do Norte, após reunir com o conselho de administração do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho
Foto
Marco Duarte

O presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte garantiu esta quinta-feira que o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNG/E) está a funcionar normalmente, após a demissão do director clínico e de 51 directores de serviço.

Atingiu o seu limite de artigos gratuitos

"O normal funcionamento do centro hospitalar está garantido, hoje houve consultas e cirurgias e amanhã [sexta-feira] haverá, com toda a certeza, empenho deles [clínicos demissionários] e a nossa disponibilidade para, junto da tutela, com os directores de serviço, conselho de administração e profissionais encontrarmos soluções para alguns dos problemas existentes", afirmou à Lusa Pimenta Marinho, após uma reunião à porta fechada com o Conselho de Administração do CHVNG/E.

O director clínico e os 51 directores de serviço e chefes de equipa do centro hospitalar demitiram-se nesta quarta-feira, alegando não terem recursos humanos, materiais e financiamento para prestar um serviço de qualidade aos utentes.

O presidente da ARS Norte salientou que os profissionais demissionários vão manter-se em funções até serem substituídos, tal como avançou na quarta-feira o bastonário da Ordem dos Médicos, acrescentando que o conselho de administração da unidade de saúde, a ARS Norte, o gabinete do secretário de Estado e do ministro estão a trabalhar para que as pessoas se sintam bem a trabalhar.

Pimenta Marinho frisou que com ou sem alerta, todas as entidades estão empenhadas em criar boas condições aos profissionais de saúde para que consigam ter os meios adequados para desempenhar bem as suas funções. "Um hospital como este, que tem excelentes profissionais que trabalham no Serviço Nacional de Saúde, profissionais que colocam toda a sua disponibilidade, vontade e profissionalismo na dedicação à instituição e aos doentes, precisa de ter boas condições para trabalhar", reforçou.

Por esse motivo, o presidente da ARS Norte salientou que as pessoas podem continuar a confiar no hospital, mesmo em condições que não são as melhores, porque os profissionais de saúde fazem um "enorme esforço" para prestar os melhores cuidados de saúde.

Pimenta Marinho salientou que a ARS Norte continua disponível, como sempre esteve, para ouvir e conversar com os profissionais. Também o Ministério da Saúde disse ao PÚBLICO estar a acompanhar a situação.

Saída da administração não resolve problema

Na conferência de imprensa, o director clínico demissionário admitiu que os médicos poderiam recuar na decisão de demissão se a administração saísse. O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, também assumiu que seria dado um "sinal positivo" se o presidente do conselho de administração fosse substituído, considerando não estar a ser capaz de gerir a unidade hospitalar.

O presidente da ARS Norte considerou que não é a saída de um elemento da administração que resolve os problemas do centro hospitalar. Pimenta Marinho salientou que os problemas que médicos evocaram para a sua demissão foram problemas estruturais, como número de camas insuficiente ou lacunas em obras ou equipamentos.

"Não é uma questão de uma só pessoa conseguir, por si só, resolver esses problemas, não é a saída de um elemento que resolve os problemas, aliás o próprio documento [carta de demissão] fala em conselhos de administração e direcções clínicas, não está no singular, está no plural porque não depende só de uma pessoa", vincou.

Na sua opinião, o que é necessário discutir são os meios e os recursos necessários para que as pessoas tenham boas condições para trabalhar e, dessa forma, possam prestar melhores cuidados de saúde. "A tutela sempre esteve disponível para isso e continuará a estar disponível, atenta e à procura de dialogar com as pessoas, a trabalhar com os profissionais, directores de serviço, directores de urgência, resumindo, disponível para trabalhar com todos os parceiros desta instituição", apontou.

Dizendo já ter visitado várias vezes o centro hospitalar e conhecer bem as suas "limitações", Pimenta Marinho recordou que durante muitos anos nada foi feito devido a contingências internacionais e a dificuldades de investimento, estando-se hoje a tentar recuperar tudo isso.

"Precisamos de obras, todos sabemos, mas a fase B que está a desenvolver-se deverá estar concluída até ao final de 2019, há obras e equipamentos previstos ainda para este ano e empreitadas à espera de autorização, mas por vezes a burocracia atrasa e o que nós estamos a tentar fazer é agilizar processos", explicou.

De 2015 até ao momento o centro hospitalar ganhou mais 390 profissionais, dos quais 52 médicos, e realizou, em 2017, 179.530 urgências e 497.267 consultas médicas, avançou.