Ensino Superior

Vagas de cursos superiores profissionais sobem para 15 mil

Candidaturas fecham nesta sexta-feira com o maior número de lugares para novos alunos de sempre. Procura está a crescer 15% face ao ano anterior.
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adriano miranda

As instituições de ensino superior estão a disponibilizar mais de 15 mil vagas para o próximo ano lectivo em os cursos técnicos superiores profissionais (Tesp, na sigla usada pelas instituições), formações de dois anos ministradas exclusivamente no ensino politécnico. É o número mais elevado de sempre e responde a um crescimento da procura que tem sido contínuo desde a criação desta oferta, há cinco anos.

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Em 2018/19 estão garantidas 15.120 vagas em Tesp, das quais 64% são de instituições públicas. O número avançado ao PÚBLICO pelo Ministério da Ciência e Ensino Superior não inclui ainda as vagas da Universidade do Algarve, dos Politécnicos de Beja e Cávado e Ave e da Escola Superior de Hotelaria do Estoril, que ainda não comunicaram os lugares disponíveis à Direcção-Geral do Ensino Superior (DGES).

O número final será, por isso, superior os 15.000 agora divulgados. Por exemplo, o Politécnico do Cávado e Ave era um dos quatro que, no ano passado, teve mais alunos inscritos (843). Entre as instituições que já comunicaram as suas vagas à DGES, destacam-se os politécnicos de Bragança, com 1348 lugares para novos alunos, Leiria (1148) e Tomar (761).

Este aumento de cerca de 1500 vagas nos Tesp em relação ao ano lectivo anterior responde ao crescimento da procura destes cursos que, desde a sua criação, em 2014, tem sido contínuo. Depois de um arranque frouxo — em 2014/15 apenas 395 alunos ingressaram nestas formações —, o ritmo de entrada nos dois anos seguintes foi evidente. Em 2015/16 já estavam inscritos 6430 alunos (um salto superior a 1500%) e em 2016/17 o número praticamente duplicou (para 11.048)

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No ano lectivo de 2017/2018 estavam inscritos 12.771 estudantes em Tesp, o que representou um aumento de 16% em relação ao ano anterior. Este ano, a tendência de crescimento mantém-se ao mesmo nível. Nas quatro instituições onde o processo de candidaturas já terminou, entre as quais estão duas daquelas que no ano passado registaram maior procura, os Politécnicos de Leiria e Setúbal, o crescimento do número de estudantes está na ordem dos 15%, de acordo com dados avançados pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP).

O politécnico de Leiria anunciou esta quinta-feira que colocou 1.031 estudantes (dos 1.228 candidatos à primeira fase do concurso local de acesso aos Tesp) para o próximo ano lectivo, o que representa um aumento de 12%. No politécnico de Setúbal o aumento é de 18% face ao ano anterior.

Nas restantes instituições de ensino superior, a primeira fase de candidaturas aos Tesp termina esta sexta-feira. Durante o mês de Setembro, as instituições vão ainda promover uma segunda fase de acesso a estes cursos para ocupar as vagas que ainda sobrem nessa ocasião.

Componente prática valorizada

O sucesso na procura dos Tesp deve-se “à sua componente fortemente prática”, valoriza o presidente do Politécnico de Bragança, Orlando Rodrigues. Estes cursos têm que incluir, obrigatoriamente, um estágio de seis meses nas empresas, o que “é muito valorizado pelos alunos”.

E também pelos empregadores, na avaliação do presidente do CCISP, Pedro Dominguinhos. “As empresas valorizam cada vez mais a mais-valia que estas formações podem ser”, defende, notando um aumento do número de parcerias entre empresas e instituições de ensino superior para garantir estágios aos alunos e também um crescimento de cursos feitos em resposta a necessidades identificadas directamente junto das indústrias.

“Se temos sucesso nos Tesp, é porque apostamos numa estratégia de parceria com as empresas da região”, confirma o presidente do politécnico de Leiria, Rui Pedrosa.

Os presidentes dos politécnicos valorizam ainda os bons resultados que os alunos destes cursos têm tido quer em termos de sucesso académico – “as metodologias de ensino mais activas, com maior envolvimento dos estudantes, dos professores e das próprias empresas, têm levado os alunos a ter bons resultados”, afiança o presidente do CCISP – quer de empregabilidade.

Não existem ainda dados nacionais sobre o acesso dos diplomados dos Tesp ao mercado de trabalho – os primeiros a completarem a formação chegaram às empresas entre o final do ano passado e o início deste. Contudo, os responsáveis das instituições de ensino superior garantem ser “residual” o número de pessoas que ficam paradas depois de concluir a formação. Por exemplo, no Politécnico de Leiria, metade dos estudantes fica a trabalhar na empresa onde fizeram o estágio – que dura obrigatoriamente seis meses. A outra metade prossegue estudos para uma licenciatura.

As regras permitem também a criação de cursos Tesp fora das instalações em que habitualmente funcionam as instituições de ensino superior. Os politécnicos têm, por isso, apostado cada vez mais numa oferta descentralizada. O Politécnico de Setúbal, por exemplo, tem Tesp em Sines e Ponte de Sôr; o de Leiria em Torres Vedras, além de Peniche e Caldas da Rainha – onde também funcionam licenciaturas da instituição – e o de Bragança em Macedo de Cavaleiros, Chaves e Carrazeda de Ansiães.

“Somos uma instituição voltada para atender as necessidades da região e decidimos ter essa oferta local para responder às necessidades de formação das pessoas dessas localidades”, justifica o presidente do Politécnico de Bragança, Orlando Rodrigues.