Rede ferroviária

CDS diz que Ferro Rodrigues está a empatar reunião do Parlamento sobre ferrovia

Centristas acusam PS de considerar que a reunião extraordinária da Assembleia da República para discutir o “colapso” dos comboios “não é urgente” porque têm um “comboio de festa”
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Telmo Correia falou aos jornalistas na Assembleia da República Nuno Ferreira Santos

O CDS quer que a Assembleia da República reúna com urgência a comissão permanente (que funciona durante as férias) para debater o colapso da ferrovia e recebeu, na volta do correio, um indeferimento por parte do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, que impede, para já, a sua realização. O deputado centrista Telmo Correia diz que o CDS vai insistir no pedido de reunião urgente e acusa o PS não a querer fazer porque anda num “comboio em festa”.

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O deputado referia-se ao facto de o PS ter fretado um comboio – como é hábito nos últimos anos – para levar os seus militantes até Caminha, onde se realiza a “Festa de Verão” do PS, que marca a rentrée política do partido no sábado, dia 25. Telmo Correia convocou uma conferência de imprensa no Parlamento para fazer a relação entre este episódio e o facto de o PS ter considerado que debater o assunto pedido pelo CDS “não era urgente”. 

“É normal e natural que quem tem comboios especiais, - não sei se com catering ou sem catering, mas provavelmente com ar condicionado -, não esteja preocupado com as situações dos portugueses”, disse aos jornalistas. "Enquanto nós consideramos que é fundamental uma reunião urgente e extraordinária da comissão permanente para analisar aquilo que milhares de portugueses sofrem todos os dias, que é o caos no serviço de ferrovia, a supressão, os atrasos [de comboios], há quem ache que não é urgente. Eu limito-me a constatar, com ironia, que quem acha que não é urgente tem comboios especiais fretados para utilização", disse questionado se estava a condenar a acção dos socialistas.

De acordo com o CDS, o grupo parlamentar do PS apresentou dúvidas regimentais e argumentou com a não urgência do assunto na carta que enviou à presidência da Assembleia da República sobre o pedido do CDS de realização de uma reunião urgente.

Aliás, segundo o CDS, o próprio presidente da Assembleia estará a dificultar essa reunião, tendo enviado uma missiva a indeferir a realização da reunião com base em regras regulamentares. “Não temos resposta conclusiva, mas não vamos desistir desta ideia. Tenho uma resposta com dúvidas regimentais por parte do Presidente da Assembleia da República, que tenho dificuldade em compreender, porque o nosso pedido é claro”, disse aos jornalistas.

O CDS anunciou que vai insistir hoje em que esse encontro se realize. “Espero que o senhor presidente convoque rapidamente essa reunião”, repetiu Telmo Correia. Foi Assunção Cristas a anunciar, na terça-feira, que o CDS iria pedir a antecipação da reunião da comissão permanente da Assembleia da República (prevista para 6 de Setembro) para ouvir o ministro do Planeamento e Infra-estruturas, Pedro Marques, que acusa de “querer culpar o governo anterior” pelo estado a que o serviço da CP chegou.

“A verdade é que [o Governo] está há três anos em funções” e desde então “teve tempo para fazer investimento que o governo anterior não pôde fazer porque apanhou um país falido pelo PS”, apontou, depois de uma viagem de comboio que a levou de Caldas da Rainha a Coimbra.