Detenções e suspeitas de ligações à ‘Ndrangheta no caso do jornalista assassinado

Empresários italianos relacionados máfia calabresa que Jan Kuciak estava a investigar foram presos. Governo em risco de cair.

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A polícia eslovaca deteve sete pessoas esta quinta-feira no âmbito da investigação do assassínio do jornalista Jan Kuciak e da sua namorada, anunciou o chefe da polícia nacional, Tibor Gaspar. Apenas foram revelados os primeiros nomes e iniciais dos detidos, mas alguns, diz a Reuters, parecem ser os dos empresários italianos suspeitos de ligações à ‘Ndrangheta, a máfia calabresa que eram figuras importantes da última reportagem de Kuciak.

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A polícia eslovaca deteve sete pessoas esta quinta-feira no âmbito da investigação do assassínio do jornalista Jan Kuciak e da sua namorada, anunciou o chefe da polícia nacional, Tibor Gaspar. Apenas foram revelados os primeiros nomes e iniciais dos detidos, mas alguns, diz a Reuters, parecem ser os dos empresários italianos suspeitos de ligações à ‘Ndrangheta, a máfia calabresa que eram figuras importantes da última reportagem de Kuciak.

O homicídio de Kuciak chocou a Eslováquia – o Presidente Andrej Kiska disse ter ficado “abalado e aterrorizado com este assassínio a sangue-frio”. Mas está a ameaçar sérias repercussões políticas, que no limite podem levar à queda do Governo. O partido mais pequeno da coligação a três que governa a Eslováquia, o Most-Hid, ameaça sair. Isso levaria à queda do Executivo e à necessidade de novas eleições.

Entretanto, o ministro da Cultura, Marek Madaric, um aliado de há muito do primeiro-ministro Robert Fico, demitiu-se na quarta-feira: “Dito de forma clara, não posso continuar a ser ministro depois de um jornalista ter sido assassinado durante o meu mandato”, explicou, citado pela Reuters.  

Demitiu-se também Viliam Jasan, secretário do Conselho de Segurança do Estado, cujo filho surgia como parceiro de negócios de Pietro Catroppa, um dos empresários italianos com ligações à ‘Ndrangheta investigados pelo jornalista Jan Kuciak. Catroppa foi investigado em Itália por ligações aos clãs da máfia calabresa, que é hoje em dia o sindicato do crime organizado mais brutal em Itália e o mais importante traficante de cocaína na Europa.

Outra demissão foi a de Maria Troskova, ex-modelo topless e ex-concorrente a Miss Eslováquia, que foi contratada como assessora do primeiro-ministro embora não se lhe conheça experiência política. Foi, no entanto, sócia de Antonino Vadala – outro empresário italiano com ligações à ‘Ndrangheta. Finalmente, tinha sido Viliam Jasan a apresentar Troskova ao primeiro-ministro Fico. Tanto Jasan como Troskova negam ter feito algo de errado, ou terem informações sobre o homicídio.

No artigo que estava a preparar antes de ser morto, Jan Kuciak pretendia provar as suspeitas que pairam sobre os empresários italianos e as ligações aos membros do Governo eslovaco, e também os abusos realtivos aos subsídios agrícolas da União Europeia. A história já chegou a Bruxelas, e a Comissão Europeia pediu esclarecimentos a Fico.

O primeiro-ministro Robert Fico ofereceu uma recompensa de um milhão de euros por informações que permitam encontrar o assassino. Deu uma conferência de imprensa com uma mesa com as notas contadas ao seu lado, para incitar a denúncia.