Incapacidade de resposta do SNS leva sector privado da saúde a crescer

O sector privado da saúde é actualmente responsável por 79 mil empresas, 130 mil empregos e 5,7 mil milhões de euros de facturação anual.

Foto
Adriano Miranda

A incapacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é um dos factores que contribuem para o desenvolvimento do sector privado na saúde, concluiu um estudo sobre o Sector Privado da Saúde em Portugal, apresentado nesta segunda-feira em Coimbra.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

A incapacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é um dos factores que contribuem para o desenvolvimento do sector privado na saúde, concluiu um estudo sobre o Sector Privado da Saúde em Portugal, apresentado nesta segunda-feira em Coimbra.

O documento, desenvolvido pela consultora Augusto Mateus & Associados, considera que o "sector privado da saúde é cada vez mais relevante para a saúde dos portugueses, para a sustentabilidade do sistema de saúde e para o tecido empresarial nacional".

"Para lá do carácter supletivo face ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), o sector privado da saúde em Portugal assume também um papel complementar", pode ler-se no estudo apresentado na conferência "Saúde Privada em Portugal", organizada pelo Millennium BCP.

Os autores do trabalho concluem que, no primeiro caso, o sector privado proporciona uma maior rapidez no acesso a cuidados, maiores níveis de conforto, a possibilidade de escolha de médico, simpatia dos colaboradores, notoriedade, localização e entidade prestadora dos cuidados.

No segundo caso, "o sector privado é procurado especificamente para preencher lacunas ou contornar fragilidades da oferta pública, tais como a fraca cobertura [medicina dentária], as listas de utentes sem médico de família ou tempos de espera para marcação de consulta programada nos centros de saúde ou as listas de espera para cirurgia".

A actividade privada da saúde encontra-se bastante concentrada nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, sendo secundada por alguns polos na região Centro, sobretudo, Coimbra.

As regiões de Lisboa e Porto "são responsáveis por 68,2% das empresas, 79,3% do volume de negócios e por 72,7% do resultado líquido".

O estudo revela que 40% da população portuguesa está coberta por um subsistema de saúde público (ADM, Ministério da Justiça, ADSE), privado ou um seguro de saúde, além de ser beneficiária do SNS.

"Atendendo a que este financiamento está tendencialmente direccionado para prestadores privados, sinaliza a relevância expressiva que o sector privado assume no quadro nacional da saúde", lê-se no documento.

O sector privado da saúde é actualmente responsável por 79 mil empresas, 130 mil empregos e 5,7 mil milhões de euros de facturação anual. Segundo os autores do estudo, apresenta bons índices competitivos "mais favoráveis do que a generalidade das actividades económicas do país" e prossegue a sua expansão para o interior do território nacional.