Merkel é a arrogância do poder, acusa Martin Schulz

Congresso dos sociais democratas alemães tenta recuperar atraso nas intenções de voto para as eleições de 24 de Setembro.

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O SPD de Martin Schulz está separado da CDU de Angela Merkel por 15 pontos SASCHA STEINBACH/EPA

A 90 dias das eleições legislativas, e com mais uma sondagem a confirmar a descida nas intenções de voto do SPD, Martin Schulz atacou a chanceler alemã Angela Merkel, a sua principal rival, acusando-a de exercer o poder “com arrogância” e de “atacar a democracia”.

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A 90 dias das eleições legislativas, e com mais uma sondagem a confirmar a descida nas intenções de voto do SPD, Martin Schulz atacou a chanceler alemã Angela Merkel, a sua principal rival, acusando-a de exercer o poder “com arrogância” e de “atacar a democracia”.

No seu discurso de 80 minutos no congresso dos sociais-democratas alemães em Dortmund, em que será aprovado o programa que o partido leva para as eleições de 24 de Setembro, Schulz tentou o tudo por tudo. Era o discurso “da última oportunidade”, como tinha dito a revista Der Spiegel, com o partido em rota descendente nas intenções de voto: a CDU de Merkel tem neste momento uma vantagem de 15 pontos sobre o SPD.

“O maior perigo, é a arrogância do poder. As pessoas sentem-no”, afirmou o ex-presidente do Parlamento Europeu sobre Merkel, que lidera o Governo alemão desde 2005 e disputa um quarto mandato sucessivo. Schulz criticou à chanceler a forma como “cala de forma sistemática os debates sobre o futuro do país”, como o das pensões, qualificando esta atitude como “um ataque contra a democracia”.

Martin Schulz centrou-se nas suas propostas, sob o mote do aumento da igualdade social, que incluem o casamento para pessoas do mesmo sexo, com direito também a adopção, aumento de impostos para os mais ricos e uma diminuição para quem ganha menos, o regresso à mesma tributação para rendimentos fruto do trabalho ou de capital, recusa do aumento da idade de reforma (actualmente de 67 anos), mais apoio para famílias com crianças (incluindo a potencial abolição das tarifas de creches), mais investimento nas escolas, e uma proposta de voto a partir dos 16 anos.

Falou também da necessidade de refundação da União Europeia. “Estamos a viver num tempo de revolta. A Europa tem de ser fundada outra vez”, afirmou o ex-presidente do Parlamento Europeu, sublinhando a importância dos direitos humanos, do desarmamento e de investir na infra-estrutura digital. “Essa é a tarefa da Europa, e a tarefa da SPD.”

Lançou várias setas contra a chanceler Angela Merkel, que acusou de não ter enfrentado bem Donald Trump, e criticou o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, dizendo que deveria libertar os jornalistas presos – um dos jornalistas perseguidos pelo regime turco, o ex-director do jornal Cumhuriyet, Can Dundar, é um dos convidados do congresso do SPD.

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"Tudo é ainda possível", disse Gerhard Schröder, o último chanceler do SPD SASCHA STEINBACH/EPA

A ajuda de Schröder 

A contar que tudo isto possa não chegar, Schulz pediu a ajuda do último chanceler alemão social-democrata, Gerhard Schröder (1998-2005). Apesar de não ser próximo de Schulz – em  Março, quando este assumiu a direcção do SPD, Schröder nem sequer esteve presente – sublinha a Deutsche Welle, Schröder foi mesmo assim ao congresso do SPD, para dizer que “tudo é ainda possível”. Mesmo que as sondagens dêem uma vantagem de 15 pontos a Merkel.

O ex-chanceler de 72 anos foi recordar às hostes sociais-democratas que em 2005 se previa uma derrota histórica para o seu partido, separado da CDU por 20 pontos. “Quando leio hoje os jornais, parece-me muito familiar”, afirmou. Mas afinal, a derrota para a CDU acabou por ser de um único ponto percentual. “O que foi possível então também é possível agora”, sublinhou. “Se nos mobilizarmos nas próximas semanas, podemos fazer do SPD o maior partido”, afirmou perante os 600 delegados e cerca de 5000 convidados. “Ainda nada está decidido.”