FC Porto acusa Benfica de corrupção. Clube da Luz reage com processo-crime

O responsável portista cita trocas de emails entre Pedro Guerra e o antigo árbitro Adão Mendes para acusar rival de ter "esquema de corrupção" para ser beneficiado pelos árbitros. Benfica responde que são "falsas e graves insinuações" e avança para tribunal.

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NFACTOS/GONCALO DELGADO

O director de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, denunciou, esta terça-feira, um alegado esquema de corrupção na arbitragem para beneficiar o Benfica e divulgou os emails alegadamente trocados entre Pedro Guerra e o antigo árbitro Adão Mendes.

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O director de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, denunciou, esta terça-feira, um alegado esquema de corrupção na arbitragem para beneficiar o Benfica e divulgou os emails alegadamente trocados entre Pedro Guerra e o antigo árbitro Adão Mendes.

O responsável portista terá recebido cópias das trocas de mensagens entre os dois elementos, afirmando que as mesmas ilustram a "clandestinidade na arbitragem portuguesa" e denuncia um "esquema de corrupção para beneficiar o Benfica", cita o Jornal de Notícias esta quarta-feira.

"Em Fevereiro de 2014, Adão Mendes, um ex-árbitro de primeira categoria, mandou um email ao Pedro Guerra (comentador de desporto e director da Benfica TV) a dizer que 'não podemos ser mansinhos'", afirma Francisco J. Marques. No susposto documento, os dois envolvidos farão referência ao “primeiro-ministro”, que será, na realidade, de acordo com Francisco J. Marques, o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, e não António Costa.

"O primeiro-ministro é um grande homem e um grande líder, tem um grande amor ao glorioso. Hoje, o SLB manda mesmo e os outros não mexem nada. Dizem os sábios dos painéis que o FC Porto já não manda. Hoje, quem nos prejudicar, sabe que é punido. Isto foi conquistado pelo primeiro-ministro. Quanto às missas, temos bons padres para todos. Agora, apague tudo", terá escrito Adão Mendes a Pedro Guerra.

O director de comunicação do FC Porto afirmou ainda que Adão Mendes disse a Pedro Guerra quais os árbitros em que o Benfica podia confiar. Manuel Mota, Bruno Esteves, Nuno Almeida, Vasco Santos, Jorge Ferreira, Rui Silva e Paulo Batista foram os nomes citados.

"Eram árbitros que estavam ao serviço do Benfica. Não temos de ter ilusões sobre isto. Isto prova que há um esquema de corrupção para beneficiar o Benfica. Isto não é inventado por nós. Agora temos de esperar que as autoridades, que têm fingido que não se passa nada, façam algo. Isto não é falso, isto é verdadeiro", garantiu Francisco J. Marques no programa Universo Porto - Da Bancada.

O Benfica considera que estas declarações são “falsas e graves insinuações” e vai avançar com um processo-crime e outros que se justifiquem contra o responsável portista, disse ao PÚBLICO fonte do clube da Luz.

"O Sport Lisboa e Benfica repudia e desmente de forma veemente as falsas e absurdas insinuações do director de comunicação do FCP e avançará com o correspondente processo-crime por difamação e outros processos que se justifiquem. Considerando que mais não visam do que desviar as atenções da crise e graves problemas por que passam outras instituições", diz um comunicado, entretanto, publicado pelo Benfica.