Economia portuguesa acelera-se ao ritmo mais forte da década

PIB cresceu 1% no primeiro trimestre do ano, passando a variação homóloga de 2% para 2,8%. Exportações deram o maior contributo para a aceleração da economia.

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Ritmo da actividade económica continuou a acelerar Rui Gaudêncio

A economia portuguesa reforçou o ritmo forte iniciado na segunda metade do ano passado e cresceu 1% durante o primeiro trimestre de 2017, fazendo subir a variação homóloga do PIB de 2% para 2,8%. Este é o resultado mais positivo desde o quarto trimestre de 2007, período em que o crescimento homólogo foi igualmente de 2,8%. Para encontrar um valor mais alto, é necessário recuar até ao final do ano 2000.

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A economia portuguesa reforçou o ritmo forte iniciado na segunda metade do ano passado e cresceu 1% durante o primeiro trimestre de 2017, fazendo subir a variação homóloga do PIB de 2% para 2,8%. Este é o resultado mais positivo desde o quarto trimestre de 2007, período em que o crescimento homólogo foi igualmente de 2,8%. Para encontrar um valor mais alto, é necessário recuar até ao final do ano 2000.

De acordo com a primeira estimativa para os números do PIB divulgada esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística, Portugal superou nos primeiros três meses do ano as taxas de crescimento trimestrais em cadeia que já tinha conseguido apresentar desde Junho do ano passado. Nos dois últimos trimestres de 2016, a economia tinha crescido em cadeia a uma taxa de 0,9% e 0,7%, respectivamente. Agora, apresentou uma variação do PIB de 1%.

Quando a comparação é feita com o período homólogo do ano passado, o que se observa é a continuação da aceleração do PIB. Depois de se ficar por uma taxa de variação homóloga de 0,9% na primeira metade de 2016, a subida deste indicador tem vindo a ser conseguida de forma muito rápida, tendo-se passado para 1,7% no terceiro trimestre do ano passado, 2% no quarto trimestre e 2,8% agora, no arranque de 2017.

Com este resultado, as perspectivas de cumprimento da meta de crescimento de 1,8% no total deste ano feitas pelo Governo reforçam-se. A Comissão Europeia avançou recentemente com uma previsão de crescimento em 2017 também de 1,8%, mas apontava para um crescimento de apenas 0,4% no primeiro trimestre, com uma variação homóloga de 2,2%.

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Exportações são o motor

Na estimativa rápida agora divulgada, o INE não apresenta ainda os dados relativos às diversas componentes do PIB. No entanto, deixa já pistas bastante claras para que se perceba o que é que pode explicar a continuação da aceleração da economia no início do ano.

O principal motor do crescimento mais rápido está, nesta fase, nas exportações. O INE afirma que, tanto na variação do PIB em cadeia como na variação homóloga, o contributo da procura externa líquida (exportações menos importações) passou de negativo para positivo, o que reflecte “a aceleração em volume mais acentuada das exportações de bens e serviços do que a das importações de bens e serviços”.

Os indicadores do comércio internacional de bens têm vindo a apontar para taxas de crescimento das exportações expressivas, mas é nas exportações de serviços, nomeadamente de turismo, que os resultados mais impressionantes têm vindo a ser obtidos.

Em sentido contrário, o contributo da procura interna, embora mantendo-se positivo, diminuiu, tanto para a variação em cadeia como para a variação homóloga do PIB. Quando se compara o resultado do primeiro trimestre de 2017 com o de igual período do ano passado, o INE diz que se verifica uma desaceleração do consumo privado e uma aceleração do investimento”. Já em compação com o trimestre imediatamente anterior, regista-se uma diminuição do contributo do investimento, embora este se mantenha ainda positivo.

As indicações dadas pelo INE continuam por isso a apontar para que a aceleração da economia se esteja a concretizar num cenário em que o padrão de crescimento assenta num contributo mais positivo da procura externa, com saldos externos positivos e com uma retoma do investimento.