A igualdade de género pode ter a preciosa ajuda de um voucher

A igualdade de género nas tarefas domésticas ainda está longe de ser alcançada, mas duas cidades alemãs vão começar um programa de vouchers que promete reforçar esta realidade

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freestocks.org/Pexels

Duas cidades alemãs (Heilbronn e Aalen) vão começar um projecto que pretende promover a igualdade de género. O programa piloto de dois anos pretende ajudar as famílias a encontrar o equilíbrio entre as exigências do trabalho e a vida familiar, oferecendo vouchers a empregados que trabalham fora de horas, conta um artigo da Quartz. Os trabalhadores podem receber oito euros por cada hora extra de tabalho em vouchers, que podem ser trocados por serviços domésticos.

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Duas cidades alemãs (Heilbronn e Aalen) vão começar um projecto que pretende promover a igualdade de género. O programa piloto de dois anos pretende ajudar as famílias a encontrar o equilíbrio entre as exigências do trabalho e a vida familiar, oferecendo vouchers a empregados que trabalham fora de horas, conta um artigo da Quartz. Os trabalhadores podem receber oito euros por cada hora extra de tabalho em vouchers, que podem ser trocados por serviços domésticos.

A ideia é dar a mesma oportunidade a homens e a mulheres para trabalharem horas extras e assim serem bem-sucedidos na carreira. A igualdade de género parece ainda não ter chegado aos trabalhos do lar ou às tarefas relacionadas com cuidar dos filhos. Um relatório do Institute of Economic and Social Research na Alemanha (Instituto de Investigação Económica e Social na Alemanha) explica que as mulheres trabalham quase o dobro do que os homens em trabalho não pago, como limpezas e cuidar de crianças.

Esta gritante desigualdade na divisão das tarefas domésticas leva a que as mulheres não consigam fazer tantas horas extras como os homens e que tenham, consequentemente, mais dificuldade em ascender na carreira. “A nossa experiência mostra que frequentemente mulheres muito qualificadas trabalham menos horas do que gostariam para que consigam ter tempo para realizarem tarefas domésticas e cumprir com as responsabilidades familiares”, diz Christian Rauch, director executivo de uma agência de emprego da região alemã de Baden-Wuerttemberg.

O programa é inovador porque associa as dificuldades que as mulheres têm em ascender na carreira à excessiva carga de trabalhos domésticos. Estabelece ainda que a solução para este problema começa por organizar estruturas de ajuda nas tarefas domésticas que incentivem as mulheres a focarem-se mais nos seus objectivos de trabalho porque têm mais tempo para isso. “Com ajuda profissional em casa, é mais fácil conciliar trabalho e vida familiar”, explica Ralf Kleindiek, secretário de estado no ministério federal dos assuntos familiares, à BBC.

Segundo um estudo do Institute of Economic and Social Research (Instituto de Investigação Económica e Social) as mulheres alemãs trabalham quase o dobro dos homens no que toca a tratar de crianças e lide doméstica. Uma notícia do PÚBLICO dá conta que as mulheres portuguesas trabalham em casa mais hora e meia que os homens, apesar de os homens trabalharem apenas mais 27 minutos no trabalho pago que as mulheres. Mais de metade das inquiridas confessa ainda que, quando está no trabalho, pensa nas tarefas domésticas que tem que fazer. Outra notícia do PÚBLICO, baseada num inquérito intitulado Rumo a um futuro melhor para a mulher e para o trabalho: vozes de mulheres e de homens realizado pela Organização Internacional de Trabalho, explica que a grande parte das mulheres portuguesas prefere conciliar trabalho pago com trabalho doméstico (54%) ou fazer apenas trabalho pago (31%). Apenas 12% afirmou que preferia fazer apenas trabalho doméstico.

Diminuir a economia paralela

Por outro lado, o programa também vai encorajar pessoas menos qualificadas – como empregados domésticos – a juntarem-se à economia formal, visto que com os vouchers os ordenados destas pessoas podem subir, levando a que passem a pagar impostos. De acordo com o German Business Institute (Instituto Alemão de Negócios), entre 75% e 83% dos empregados domésticos alemães trabalham informalmente, não pagando impostos sobre o que recebem.

O programa é semelhante a outro lançado na Bélgica em 2004 que ofereceu voucher para tarefas como limpar, cozinhar, passar a ferro, coser e tomar conta dos filhos ou fazer compras. O objectivo principal era criar empregos para trabalhadores pouco qualificados, combatendo a fuga aos impostos. Outro objectivo declarado era “melhorar o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal”.

De acordo com essa análise, o número de pessoas que usa o programa belga tem aumentado, mas de sete vezes entre 2004 e 2012. “A introdução de serviços de vouchers em 2004 tem tido sucesso”, declara a European Foundation for the Improvement of Living and Working Conditions (Fundação Europeia para a Melhoria da Condições de Vida e de Trabalho).

Rauch, o ministro de uma das regiões alemãs pioneira do programa, disse que as novas medidas permitem resolver dois grandes problemas de uma vez: trazer mais pessoas para a economia formal e abrir portas para a igualdade de género no que toca a trabalhos domésticos. “Se estas mulheres aumentarem as suas horas de trabalho em cinco ou dez horas e receberem um voucher que as ajude a suportar ajuda de qualidade no lar, vamos matar dois coelhos de uma cajadada só”, explicou.