Na grande máquina de raios X do Médio Oriente já circulam os primeiros feixes de electrões

É o maior centro de investigação no Médio Oriente centrado na emissão de radiação sincrotrónica e já deu os primeiros sinais de vida.

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A máquina SESAME ainda em construção SESAME

Pela primeira vez, o sincrotrão do Médio Oriente, o SESAME fez circular os primeiros feixes de electrões, segundo noticiou a revista Nature. O próximo passo será aumentar o número de feixes. 

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Pela primeira vez, o sincrotrão do Médio Oriente, o SESAME fez circular os primeiros feixes de electrões, segundo noticiou a revista Nature. O próximo passo será aumentar o número de feixes. 

Já se sabia que a partir de Dezembro de 2016, a grande máquina de raios X do Médio Oriente iria começar a fazer circular as primeiras partículas subatómicas. Com sede em Allan, perto de Amã, a capital da Jordânia, este sincrotrão é um centro de investigação dedicado à emissão de radiação sincrotrónica, pois é uma máquina de emissão de raios x intensos, funcionando assim como um microscópio gigante. Começou a ser construído em 2003 e esperava-se que entrasse em operação em 2015.

Apenas a 11 de Janeiro aconteceu a sua primeira emissão de partículas. "Este é um grande momento de orgulho para a comunidade do SESAME", afirmou Khaled Toukan, director do SESAME, em comunicado. Chris Llewellyn-Smith, presidente do conselho do SESAME, salientou também em comunicado que este foi um “grande dia” para este centro de investigação. “É um tributo às capacidades e dedicação dos cientistas e aos responsáveis desta região, que têm trabalhado incansavelmente para tornar esta colaboração científica entre os países do Médio Oriente e das regiões vizinhas uma realidade”, disse.  

Prevê-se também que o SESAME comece a fazer parte de investigações no Verão deste ano, com um grupo de 260 investigadores das universidades do Médio Oriente, desde as áreas da farmacologia até à física. Até ao momento, já foram investidos no SESAME (sigla inglesa de Synchrotron-light for Experimental Science and Applications in the Middle East) cerca de 103 milhões de euros.

Este centro de investigação faz parte de uma organização intergovernamental com cientistas do Bahrein, Chipre, Egipto, Irão, Israel, Jordânia, Paquistão, Autoridade Palestiniana e Turquia. Além disso, conta também com o apoio da Comissão Europeia e do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), em Genebra (Suíça). É assim o primeiro grande centro de investigação internacional do Médio Oriente.

O que se investigará nele? Estudar-se-ão as propriedades de novos materiais, processos biológicos e artefactos arqueológicos, como múmias egípcias e delicados papiros, assim como novos materiais, pormenores de células humanas, vírus, proteínas, podendo chegar-se mesmo à escala dos átomos. 

Há também o objectivo de ser um promotor de paz no Médio Oriente. “Iremos conjugar este espaço numa cultura de tecnologia de ponta e de ciência na nossa região”, dizia Khaled Toukan, à revista Nature em 2016.

A perspectiva é a de que o SESAME seja como o CERN, fundado em 1954, e que ajudou a unir os países europeus depois da Segunda Guerra Mundial. Após o conflito, os países europeus não conseguiam financiar a investigação e os seus cientistas tinham de dirigir-se para os Estados Unidos. Hoje já tem 22 países-membros e é o maior laboratório de física de partículas do do mundo.Também na Europa, há o Laboratório Europeu de Radiações Sincrotrão, em Grenoble (França), que é a maior infra-estrutura deste tipo, apenas competindo com instalações nos Estados Unidos e no Japão. Actualmente tem 21 membros e Portugal é um deles. Quanto ao SESAME, como salientava em 2016 à Nature Roy Beck, da Universidade de Telavive, em Israel, o SESAME será também uma oportunidade para os cientistas do Médio Oriente tomaram um café em conjunto e se conhecerem uns aos outros.